Primeiro teste. Gosto do efeito escorrido em canetas e tintas, e tentei no meio de uma das aulas. Enxarquei a ponta da Posca preta, mais uns riscos em cima. O desenho em si eu já tinha em mente. E os pingos foram mais ou menos no mesmo estilo. Depois de scanneado, Photoshop para contorno e cores, Illustrator para vetorização
Pequenas coisas assim: desenhos legais, quando consigo fazer exatamente o que estava pensando, me deixam muito, muito bem. Sabem tirar a cabeça fora de qualquer pensamento por algumas horas, só desenhando, focando em uma coisa só? Faz valer a pena. Relaxa. :)
Jamais. Não. Não haveria de cruzar minha mente até eu estar preparado, obviamente. 4 meses, 2 meses antes, eu pensava incessantemente: no antes, no durante, no depois. Como será, o que vou fazer, o que estou fazendo… O que estamos… Mas já aprendi que não adianta pensar nessas coisas. Fiz os planos necessários, os excessos descartamos. Não dá pra ficar carregando esse peso: cruzará minha mente quando eu estiver preparado.
Mais cedo ou mais tarde, terei de estar preparado. Data marcada, até.
Agora cruza minha mente, mas na contra-mão. O que antes pensava num futuro, penso no presente, no passado [mais recente]. Penso no pouco tempo aqui, não no muito tempo lá. Como as coisas serão nesse meio tempo, e como tudo será no grande dia.
Me deixo pensar, reduzo-me a 34 dias. 34 dias, e contando. Depois disso, não me pergunte mais: não serei capaz de responder. Ou espere um bom tempo até uma boa resposta.
Foi estranho de começo. Dias antes não havia reconhecido e agora, a reconhecendo instantaneamente, houve um outro efeito. Carregado também por um outro sentimento. E com muitos outros pensamentos. Um estranho alívio. Ainda assim tão aflitivo. Como se o desconhecido tivesse me selecionado, e apontado, e estariam agora todos assitindo a esse espetáculo. Tão irônico.
Desconcertado.
Andei, ainda sem rumo, procurando ar. Naquele momento, acho que não queria estar era em nenhum lugar. O teto baixo me deixava confuso, as cores escuras tampavam minha visão. Ao sair, tudo pareceu tão claro, grandão. E agora mais uma exigência: sem encheção. Um pedaço da paz: logo encontrei ali atrás.
O que falta nas pessoas é procurar.
Por 10 minutos fui acolhido por uma voz. Acolhido por um anjo e suas asas como alguém que caia ininterruptamente e esparava, a qualquer momento, sua morte, abruptamente. E o anjo, coitado, que havia tanta confiança depositada em suas costas, a ignorou por alguns instantes, e se lançou em uma viagem rústica entre os sentimentos desse que resgatara.
Acolhedor foi apenas uma parte do todo.
Ao deixá-lo no chão, o invadiu sem permissão. Brincou com sensações e decisões, e deixou claro em sua cabeça o caos instaurado. Das sensações formara-se vazio, das decisões, sereno rio. Pensantes, agora. Considerando isso um grande passo para trás, sem memória.
Como seria se nada tivesse acontecido?
Ao menos houve sua própria sinceridade: ele havia se respeitado. Não sabes a que ponto isto lhe definha ou lhe agrada, mas o respeito, um sentimento tão puro, lhe deu mais estrada. A voz lhe deu mais caminhos. E, finalmente…
…o anjo havia lhe dado asas.
“Você é capaz de decidir seus próprios caminhos, agora. Enfrentar seus próprios sentimentos. Poupar-se de seu próprio sofrimento. Voa. Mostra-me algo. Orgulha-me do seu mais novo talento.”
Não tenho o costume de fazer esse tipo de apanhado/seleção de blogs ou sites que eu gosto e divulgar. Sei que no twitter tem o Follow Friday, que toda sexta você indica umas pessoas legais que você segue, meio que falando “AEAE todo mundo segue essa gente ae porque eles são minimamente legais!” nas entrelinhas. Eu nunca fiz isso. Não porque eu acho nada, só nunca tive saco pra fazer isso mesmo. Acho meio FEIO fazer essas seleções instantâneas, na verdade. Mas entendam como bem quiserem.
Ouvi do Blog Day esses dias. E bem que falaram “Nossa, nem falaram nada do Blog Day esse ano, né? Bizarro”. De fato. Nos outros anos, rondando os blogs que costumo ler, vi muitas seleções do Blog Day por aí, e esse ano mal ouvi falar. Nem teria visto mesmo se não tivesse notado o comentário mostrado. E aí comecei a pensar em fazer um. “Ah, uma vez aí. Não tem porque não.”
Então, 3 dias depois da data original pré-determinada no site do “evento”, eu decidi a lista que publicarei a seguir. Esse foi o tempo que me levou pra decidir o que escolher, também.
Mais uma última coisa antes de colocar tudo aqui: pensando nas coisas, eu percebi que leio muito poucos blogs “blogs” mesmo. Blogs pessoais, daqueles que você procura e lê a vida do cara , além de estarem em extinsão, eu não procurei muitos. Os que leio estão muito mal atualizados, também. [Foda que quando tem post nesses não-tão-atualizados, valem a pena.] Acabei por decidir que blog por blog, eu já considero tudo como blog. Tirando sites de empresas ou catálogos, como sites de apresentação de marcas e essas coisas, qualquer coisa atualizada com notícias ou textos é uma forma de blog. Só saber diferenciar isso tudo dentro da palavra “blog” que é tudo nosso.
this page was originally created for personal reference, as sort of an e-scrapbook or idea catalog.
[...]
this “blog” will forever remain inconsistent.
Vi esse tumblr por uma imagem que lhe pertence que um amigo postou no twitter. Me interessei e explorei mais o blog, e comecei a achar essa menina genial. Tem MUITA coisa bizarra e legal no meio de todas essas páginas. De fotos sensuais a desenhos retardados e textos inteligentes. Um dia fui capaz de ver todas as imagens e ler todos os textos de cada uma das páginas até o dia atual. Absorvi muita coisa, ironicamente.
Não só esse, mas muitos outros tumblrs, ou o tumblr em geral, subiu no meu conceito. Definitivamente é um pessoal muito mais “selecionado” que faz uso da ferramenta. Como não é uma coisa que brasileiro já tomou conta e escrotizou a merda inteira, vale a pena explorar outros usuários. Canais de fotos de celebridades como Zooey Deschanel e Emma Watson, um especializado a falar de amor [bonitinho] e outro de quadrinhos. Muito bons.
Perco umas horas dos meus dias vendo imagens nesses tumblrs. Se eu acho que vale a pena ou não, enfim. To falando aqui. :)
Faço a menor idéia de como eu cheguei nesse deviant, mas quando me foi introduzido, o foi feito através desta animação. Não tem como: eu ROLO de rir toda vez que assito essa animação. E depois que assisti as outras do autor, nunca ri tanto de uma vez só.
O nome da cabeça por trás de tudo é Yotam Perel, um jovem Israelita [sim, fucking insane. Descobri que o truta é de lá só quando tava reunindo informação pra encher estes parágrafos] que, por uma de suas últimas animações, você percebe que tem 18 anos [quando conheci, vi por outra de suas animações que ele tinha 16. Achei FO-DA um moleque de 16 anos fazer as coisas de qualidade que ele faz. Por "qualidade" entende-se não só o nível da animação, mas algumas piadas que ele faz, e a qualidade da comédia que ele faz].
Recentemente também comecei a seguir o twitter do rapaz, que infelizmente não posta muito, mas pela consideração. Visitem e chorem de rir vendo outras animações como Birthday 3, Birthday 2, ONE MILLION PAGE VIEWS etc.
Outra ferramenta também muito pouco explorada, pelo que vi e pelo que conheço, é o DeviantART. Conseguimos achar muita coisa de ótima qualidade ali no meio de tantas pessoas. Um dos meus estúdios preferidos de desenho, UDON [wiki], tem sua página no Deviant, com muitos trabalhos de alta qualidade lá. Salvo alguns artistas, gosto da maioria.
Novamente, explorando, é possível encontrar muitos artistas em pixel de boa qualidade como BLiTZ [nome de fórum de quando eu costumava fazer pixelcars também [pra ver desenhos de minha autoria só clicar no link pro meu deviant na categoria links, à sua direita]], esse que também não faz mais tantos pixelcars, mas que é designer e faz trabalhos muito bons, e Marc-PHX, conhecido meu no twitter, que também faz gifs de pixel muitos bons, entre outros fotógrafos de boa qualidade ou artistas plásticos/designers. Tem muitos, e de muito bom gosto também.
É um site, como preferir. Sobre sneakers e cultura urbana e roupas e essas coisas. E é brasileiro. E é de qualidade. Confesso que eu ia colocar o site Hypebeast no lugar do SBR, mas a qualidade não perde em nada. Talvez no conteúdo, mas cheguei aà conclusão de que o conteúdo no SBR é muito mais selecionado até que no Hypebeast, o que decidiu a minha escolha.
O SneakersBR começou como um blog mesmo, em sua raiz propriamente dita, e em alguns anos se tornou o site que é hoje. Se não for único, é o primeiro brasileiro a ser especializado em falar de sneakers e cultura. Esse ano foi lançado, em parceria com a Nike, em comemoração aos 2 anos do site, um Air Max 1 chamado “Lanceiro”. O tênis tem a temática pernambucana [estado de origem do site], e fala sobre um dos movimentos culturais mais tradicionais não só do estado, mas como dos costumes brasileiros, o Manguebeat. Saiba mais.
Quem não sabe ae, gente, então… Eu curto tênis. Sabe? Uma sola, um cadarço, e uma base de tecido? Então. Gosto, e é isso ae. Sem marcas preferidas nem nada. Vou nas lojas e fico vendo os tênis, hoje já tenho as lojas mais selecionadas na minha cabeça. Acompanho os lançamentos das marcas, e por outros sites acompanho lançamento de coleções de roupa e peças limitadas. Difícil é que é um gosto meio caro. Mas em tudo se dá um jeito. Haha
Há quem ache “brisa” demais, ou meloso demais e blablabla. Eu acho muito pau no cu essas pessoas que não conseguem apreciar um texto ou ler com outros olhos algumas coisas e acabam falando merda sobre as mesmas, apenas por não entender. Eu até entendo pessoas não serem do mesmo CLIMA que algumas músicas ou alguns textos que são publicados, mas falar mal de uma coisa boa por não entender é pura ignorância.
Lucas Castello Branco, dono do fotolog, vocalista de uma das minhas bandas preferidas: R.Sigma. Eu conheci a banda pela televisão! Há. Quando eu imaginava que realmente era algo sem futuro essa tal de transmissão televisiva, me aparece My Name Is Earl, Luisa e Kika na MTV Brasil e alguns programas randômicos. Num desses programas randômicos estava passando o Nokia Xpress Bands no Multishow uma hora, e o R.Sigma foi uma das finalistas. Não botei uma fé no começo, mas quando vi, já tava procurando MySpace e escutando mais músicas. No final do programa eles ergueram o troféu de ouro do concurso, e eu já tinha virado fã.
Pelas letras e pela sonoridade, gostei muito da banda. Procurando sobre os membros [rato de internet filhodumaputa] achei o fotolog dele. Seguindo a linha das letras que se formam na banda, os textos que ele escreve são fodidamente reflexivos, com muito ar de poesia, um ar muito romântico e ainda assim muito melancólico e triste. Eu gosto. Muito, na verdade. Muitas pessoas acham que é triste demais e que as afetam de modo negativo. Muito pelo contrário: comigo ocorre uma sensação de reconhecimento com os textos, o que me afeta de modo muito positivo.
De qualquer jeito, acho que vale a pena ler pela qualidade e até, em algumas vezes, pela complexidade dos textos. Assim como vale a pena ouvir R.Sigma [fotolog] pela sonoridade e honestidade que a banda transmite ao tocar.
Fotógrafo. Outro que põe tanta honestidade e tanto gosto do trabalha que vale a pena ver só por causa disso. Mas muito além disso, a qualidade das fotos que ele faz é algo espetacular [essa palavra para sempre me lembrará o Esporte Espetacular]. Ele fotografa, em maioria, shows e bandas, mas também com trabalhos de foto-jornalismo e cobertura de eventos, como o Carnaval.
Cheguei no Flickr do mesmo quando descobri que uma das fotos mais bem feitas de todos os tempos na minha opinião é de sua autoria.
Por ser de uma banda que não muitos fora dessa certa cena conhecem [Eu Serei a Hiena], procurei mais trabalhos dele com outras bandas, e acabei por descobrir seu trabalho geral. São fotos com uma identidade. Acho muito mais importante que fotografar bem, é ter uma identidade em suas fotos. É quando alguém vê fotos, e, no meio de tantas, conseguir diferenciar a SUA, por ter SEU estilo, SUA atitudade, extravasando SUA personalidade pelo seu jeito de fotografar [Haha]. Isso é uma coisa que falta em muitos fotógrafos aí, e eu acho que ele tem.
Ele fotografou MUITAS bandas FODAS. Se alguém quer ter boas referências musicais, taí! Muitas das bandas que ele fotografou são bandas do meu top10 musical, por assim dizer. Dead Fish, Eu Serei a Hiena, Boom Boom Kid, e ainda outras fodas como Interpol, The Evens, Discarga, Hurtmold, Slayer. Fico outras horas do meu dia pra conseguir ver todas as fotos que ele tirou. Vale a pena. Da pra tirar umas lições de fotografia daí, fácil, fácil.
Sem contar que ele conheceu o Ian MacKaye, rapaziada. I rest my case.
SIDEBOARD!
Outros blogs que eu considero valerem a pena. Acho 5 um número muito pequeno talvez. Então colocarei mais 2 aqui, com uma descrição mais breve:
Julia Nunes, ukelele player [porque "tocadora de ukelele" é uma expressão tosca pra caralho de se ler] e deveras bonita. Eu não sei muito o que falar sobre ela aqui, na verdade. Ela é bonita, toca muito bem e canta muito bem. É simplesmente cativante. Tipo… Cativante, sabem? É. Isso ae. Deixo uma amostra:
Grafiteiro. O conheci jogando ioiô, e ele é, facilmente, um dos melhores grafiteiros mundiais, arrisco dizer. Sem contar que joga ioiô muito bem, mas isso é detalhe. No flickr ele posta muitos, muitos desenhos próprios, partes de sketchbook e fotografias em ação e de trabalhos prontos nas ruas. Um de seus trabalhos recentes que eu gostei muito, para demonstração:
And that’s it!
Espero que todos tenham gostado ou se interessado pela minha seleção. Comecei a achar um pouco prepotente demais a idéia dessas seleções depois de pensar um pouco, esperar que todos confiem nas coisas que eu falo e tal, mas acho que acabei pensando demais. Essa foi minha opinião, espero que todos gostem e até a próxima.
O que esse negócio de dor e amor faz conosco, não é mesmo? Não conheço João Bosco, mas acredito no poder da música.
Aconteceu. [...] Te falta ar e eu mal conseguia andar. Sobrevivi pra contar: é difícil acreditar.
Até acontecer com você, claro. Eu paro. Mas não vou desistir. Viver custa caro. Viver bem? Só vivendo pra saber. Isso você só vê quando tudo esclarecer. Quando esclarece?
“Você está deixando os problemas nas dimensões que eles são”, ela diz.
Mas é estranho. Não me lembro de ser um cara centrado e calmo o suficiente para controlar esse meu lado. Esse não é o Vitor que eu conheço. Não é assim que aconteço.
-Nós somos viciados em sentimentos ruins. Nós somos viciados no amor. Fazemos as perguntas sabendo as respostas, apenas não querendo ouvi-las. Não estamos preparados para ouvir o “Não”, para sentir a separação, levar as fotos pra revelação. Não queremos tirá-las da nossa linha de vista, mas ninguém quer que você invista em se sentir mal. Pense no saudável. Pense no total contrário. Não é saudável você querer melhorar, e ficar rodeado de coisas que te fazem piorar. Não se deixe sufocar.
Procure ar.
“É difícil escolher entre amar e sonhar”
Ela diz.
Mudar não é necessariamente mudar. Fugir não é necessariamente fugir. Problemas continuam problemas onde quer que eles estejam, até que se resolvam e parem de existir.
Palavra: Problema - Substantivo Masculino [pru'blemɐ] – Dificuldade a resolver
Sinônimo: Desculpa – Substantivo Feminino [dəʃ'kulpɐ] – Justificativa
Duas linhas, sabe? Uma aqui, aí a outra… Aí elas vão, vão… E elas se encontram. Quando desse encontro elas continuam… Apenas… Segue, sabe? Mas aí… As vezes simplesmente não. E elas não mais…
Hoje eu fui no aeroporto. Não é um lugar que costumo ir com frequência. Longe disso até, infelizmente. Mas ocorreu a oportunidade. Fui deixar uma pessoa querida que vai passar 40 dias longe. Bem longe. Não sei… Foi uma experiência interessante. Eu só peguei avião umas 2 vezes na vida, então o ambiente não me é muito familiar, assim como todos os sentimentos que decorreram ao longo de tempo que estive lá. Afinal: fui para viajar das outras vezes, e deixar pessoas, ver a pessoa que você ama andando embora, foi uma coisa nova. Aviões, cara. São coisas grandes.
Tava muito cedo quando eu acordei. Na verdade eu nem consegui dormir direito: não conseguia engolir o fato de, bem nas férias, não ficar ao lado dela. Dormi ao lado dela nessa última noite, ao menos. “Dormi”, novamente, como falei. Eu fiquei preocupado. Definhando de medo na cama ao lado, no chão. A mala quase pronta no lado oposto ao meu, aberta, para os últimos itens tomarem seus respectivos lugares e enfim cruzarem fronteiras. O despertador preparado para soar às 4:20h. Eram 3 quando cochilei. Ouvi o alarme quase como uma sirene de sentença de morte, e só me expressei quando disse “Merda…” antes de levantar.
Ela foi se arrumar. Eu dormi pronto. Pronto porque não conseguiria me preparar especificamente para essa ocasião. Pronto. Dormindo de calça jeans e blusa. Por pouco durmo até de lente para ter apenas que levantar e agonizar até o aeroporto.
Estava frio. Mais frio que o normal. Eram 4:20h da manhã, afinal. Mas não só isso, eu acredito que dias tristes são frios por natureza. Não que seja triste ela viajar. É legal. Uma coisa que ela quer há muito tempo. Mas é triste, ainda assim. Eu fico feliz, mas é uma felicidade naturalmente triste, se consigo inventar essa expressão. Algo bonito, pensando comigo agora, acho. E além de frio, uma chuva surpresa acompanhava nossa manhã. Essa não tinha mesmo sido convidada.
Após a última inspeção de itens da mala, cerificando-se de não esquecer nada (mas sempre esquecendo alguma coisa, lembrada momentos depois, no carro [claro]), e após um breve café da manhã, creio que tenha chegado a hora da partida. Um pouco da chuva respinga no cabelo dos 4 acordados naquele carro aquela manhã. O caminho foi longo e silencioso. Com algumas falas, alguns presentes (surpresas), algumas lágrimas, e muitos pingos. Muitos pingos. A chuva havia aumentado. Em quantidade e força. Não havia trânsito. Haviam muitos caminhões e espelhos embaçados, assim como as faixas da rodovia e as setas piscantes do carros. Uma longa estrada se passa.
O aeroporto estava vazio. Ele não dorme, mas tem seus altos e baixos durante as horas. E àquela hora estava bem vazio. Os guichês de check-in estavam abrindo, as filas começavam a se formar, e ao decorrer do tempo, do pouco tempo, aquele espaço já ia se enchendo. Nos posicionamos na fila, e conversamos para passar o tempo, assim como observamos quem nos rodeava. Acho que a partir daqui, comecei a ver graça em tudo. Cheguei a discordar de você, Figo, sobre aeroportos serem lugares tristes. Acabei concluindo com o cômico.
A mala estava bem pesada, e parecia que uma das rodinhas que auxiliava seu manejo não estava cumprindo bem a sua tarefa. Após algumas vistorias (com o pé, devo ressaltar), arranquei acidentalmente a que já estava se despedaçando em seu posto. Desculpa Raquel, mas eu não quebrei sua mala. Ela até melhorou depois disso. Estava mancando, mas estava andando, ao menos (o que não era possível). A fila andou. Papéis apareceram nas nossas mãos para preenchimento em propósito do vôo, e assinalamos que, com certeza, estaríamos levando doenças infecciosas, bactérias e CARAMUJOS para o destino. Acho que todos os presentes na fila assinalaram o mesmo.
As primeiras pessoas de máscaras começaram a aparecer, assim como, logo em seguida, o assunto da gripe suína também. Acho que chegou a hora de comprar a minha máscara de gás. Venho alimentando esse desejo por máscaras de gás há muito tempo. Não vejo hora melhor para adquirir a minha. Cheguei a ouvir até um início de preconceito contra argentinos e chilenos ao meu lado. Resmungos de “…esses desgraçados…”. Não entraria numa discussão ali, nem àquela hora. Tinha muitas outras coisas a me preocupar.
“Senhora”, exclamava a atendente do check-in para nos dirigirmos ao seu guichê. E essa foi a expressão chave do dia. “Senhora”. Por algum motivo essa expressão me incomodava bastante. Acho errado o uso de “senhora” no contexto em que estava sendo utilizado. A atendente continuo com seus “senhoras” e sua vistoria dos documentos necessários para o embarque, enquanto eu colocava aquela mala para a pesagem. O visor indicou 32 quilos, e minha cabeça me indicou que eu estava louco em todas as tentativas (ao menos com êxito, todas) que fiz de levantá-la. E brinquei com mais umas 100 gramas, pressionando e soltando meu dedo em cima da mala. “Para!” Tabóm, mãe, tabóm… Eu sei que não é pra brincar nessas horas. “Tenha uma boa viagem, Senhora.”
Dali passeamos um pouco pelo aeroporto. Sentamos para beber algo, reclamamos dos preços e do aumento de pessoas com máscaras. Rimos do dinheiro, do estacionamento. Andamos mais um pouco até o banco. Continuamos rindo, agora do cachorro dentro do carrinho de uma moça. Peruona, coitada. Daquelas gordas, ricas. Ela acariciava tão forte o pequeno coitado do cachorro que dava vontade de esmurrá-la contra o caixa eletrônico que usava. E sem sucesso no banco, andamos mais, descemos. “Eu poderia morar no aeroporto.”
Sentamos novamente para beber algo, em outro lugar. Mas a esperança de encontrar preços diferentes foi logo abatida. Parece que o capuccino e a Coca-Cola do aeroporto são tabelados. As pessoas perderam a noção de competição quando tabelaram preços. Cansados de pouco andar, sentamos. Bebemos. Conversamos. Um choro entalado na minha garganta pedia pra sair, mas ele iria sair mais tarde. Salvei algumas lágrimas de começo, ao menos. “Você é muito chorão, Vitor.” Isso eu mesmo me afirmei.
Um de nós nos deixou. Precisava trabalhar. Recusei a carona, e ficamos em 3 até a hora do vôo. O embarque abriria em poucos minutos. Usamos esses minutos acompanhando-a em um cigarro, cantando, ainda comentando sobre as pessoas. Sentados trocando músicas por Bluetooth. No banheiro. Fim dos minutos.
Sabia que eram os últimos metros com ela. Ando rápido, mas nunca quis andar tão devagar quanto quis andar esses últimos metros. Queria segurá-la e não soltar mais. Nem que fosse pra ficar 40 dias sentados naquele lugar de um último beijo, e não soltar mais. Abraçar com toda a força, sabe? As lágrimas já não eram evitadas. Não por mim. Já estava encharcado. “Não chora, se não eu choro também.” Mentira. “É. Eu me seguro e choro no avião.” Sabia. “Vai passar rápido.”
Um último beijo, um último abraço. Não foi o último choro. A já pequena camisa xadrez e o já pequeno chapéu ficam ainda menores com a distância. Viro e ando alguns metros. Retorno a olhar. E foram os últimos 2 segundos que a vi. No frio, e acompanhado apenas de uma pessoa agora, saímos do aeroporto. A chuva aumentou no céu cinza. O dia triste estava completo em todos os sentidos. O aeroporto não estava mais cômico. As piadas não mais existiam.
Aeroportos são lugares muito tristes. Volto no que disse.
Sempre achei que era muito bom para lembranças fags… Até eu começar a namorar. Sabe? Aquelas coisas de namorado “ideal”, que decora datas de aniversário, dias bonitinhos ao lado da amada, aquela moeda de troco do jantar naquele lugar onde vocês foram na quinta hora do terceiro dia depois de completaram X-tempo de namoro. Foi aí que eu percebi que eu sou bem sequelado pra essas coisas mesmo, mas nenhum exagero. Ainda fico na classificação “bonitinho” de relacionamentos, que, apesar de ser “feio arrumado” [e meio gay], ainda me orgulho. [Ainda sou melhor que você. Ha-ha.] Me deixa em paz.
Mas ainda assim, muitos dias bons não saem da minha memória. Eu não vou falar de um dia que tive com minha amada, vou apenas relembrar o que foi um dia maravilhosamente foda. E que tive a oportunidade, não de repetí-lo, mas de sentir a mesma felicidade novamente. E vou dizer, crianças: é demais. Tipo fora-do-comum de demais.
Ahhh… 2º colegial. Que ano era mesmo? 2006. Estava fazendo no caso, então, 16 anos, naquele grande-potencial-de-ser-bem-simplório 13 de Setembro.[Daí o nome do blog, gênios, pra quem ainda não sabia.] Depois de um tempo, quando você ACHA que tem idade pra ser gentinha grande e “Não: sou grandinho agora, não vou pedir presente pros meus pais de aniversário porque, sei lá… Isso é coisa de criança”, você acaba não pedindo presente pros seus pais. Meu caso foi bem assim. E é assim até hoje, admito. Mas aí você acaba acostumando e vê que eles sabem bem do que o filho gosta, e acabam dando presentes legais anyways.
Naquele ano, me lembro bem… Eu era assim, mas não tinha a supracitada noção de que eles iriam/poderiam acertar no presente. Então, enquanto ia se aproximando a data mais importante do ano e, quem sabe, do século o 16º dia do meu nascimento, eu ia dando umas dicas do que eu mais queria: “Ah, pai, eu sei que é muito caro e tal, mas se você quiser me dar uma serra elétrica, seria legal”, “Então, mãe… Tipo… Se você quiser comprar um prédio pra mim de aniversário eu não reclamaria”. Pelo menos eu teria tirado o peso da minha consciência e tentado, enfim, ter meu primeiro terreno em São Paulo. Poderia ser um grande investidor de terrenos logo com 16 anos, seria fantástico. Pena que elas não investiram nisso. Eu teria tentado.
Só que eu não vou esquecer. Eles sabiam bem o que eu queria. Eu sabia bem o que eu queria, mas também sabia que as chances eram bem divididas 50/50. Mas ninguém sabia do tamanho da importância que aquilo tinha pra mim. Rirão da minha cara, mas tem. As vezes nem eu sei porque que tem tanta importância assim, mas eu sei que tem.
Gosto também quando as pessoas fazem surpresas. Eu realmente me surpreendo com elas, é algo de dar felicidade em quem conseguiu prepará-la para alguém tão pato quanto eu para cair nelas. [Mas esse fato não tira o mérito de ninguém.] É bem fácil me enganar, e em certos momentos eu agradeço por ser meio-zé-roela assim de não ter a sagacidade necessária para um convívio mais interativo com o mundo. Quem liga? Já me acostumei, e to bem feliz assim!
Mas eu venderia um rim pra ter uma, na época. Não os uso mesmo, um rim só daria conta de todo esse corpo sarado e musculoso de… 50kg. Eu arranjaria um emprego só pra ter o dinheiro necessário e comprá-la. E tudo o que bastou pra mim, naquele explendido dia foi acordar de bom humor. “Acordar de bom humor” eu valorizo bastante, não só em mim como nas pessoas também. É legal ver alguém que acordou de bom humor. De alegrar o dia. E aquilo foi o bastante pra eu mesmo ter alegrado meu dia.
Mamãe entra no quarto, como de costume. Com uma delicadeza incomparável ela abre a porta [que não entendo direito, já que ela vai me acordar de qualquer jeito. Mãe é mãe] e me acorda para mais um dia de aula. Final de ano, você já ta de saco cheio, mas me conheço pelo tamanho sacal. Aguento fácil essas coisas. Levanto, tropeço do meu tênis, abro a porta do armário. Da primeira gaveta tiro uma cueca, e me direciono para o banheiro em seguida.
Parece ter sido estratégica-matematicamente calculado meu irmão e minha mãe se escondendo atrás da porta aberta do meu guarda-roupa. No momento que fecho a porta, me aparecem os dois, side-by-side. Um com uma mão em uma extremidade do pacote, a outra com os 10 dedos segurando a outra extremidade. Embrulhado em papel dourado. As medidas daquela caixa já me eram muito familiares. Sorrio, inconformado, e choro. É isso que acontece quando você torna o impossível, realidade para uma pessoa.
Pego o pacote, ainda em prantos, sento na cama e me preparo para desembrulhar. Eu não acreditava que eles iriam realmente comprar aquilo. “Seu irmão também ajudou”. Ahhh, Luquinhas, seu safado. Se estiver lendo isso, eu lembro até da sua cara nesse dia. [Ele estava tão empolgado quanto eu.] Rasgo o papel, as palavras “Playstation 2″ e um grande escrito estilisado pulam pra fora, me convidam a abrir a caixa. “Guitar Hero 2“. Uma Gibson SG vermelha, de plástico, e com botõezinhos coloridos! O resto do dia são só detalhes: agradecimentos, um pouco mais de choro, e um dia inteiro tocando uma guitarra que não faz som.
Foi um dia muito bom, e foi um dia verdadeiro que jamais me esquecerei. Família é uma coisa.
Agora, quase 3 anos mais tarde, sentindo falta dos tempos em que podia usar meu PS2 [R.I.P. 2002[?]-2007], eu pude reviver esse dia. A crise de abstinência de Guitar Hero começa a bater, todos os lançamentos passando pelos seus olhos e você ficando pra trás. Dói o coração, gente, sérião. Quando, no final do ano passado, consegui finalmente ter um console em casa novamente, dos novos. Foi uma felicidade. E, agora, novamente, terá a mesma utilidade que um dia seu antecessor teve.
O dia anterior foi uma segunda feira muito empolgada. Não foi o melhor dia, claro, como qualquer outro, mas foi um dia muito mais empolgado que qualquer um desses outros. Sendo superado apenas pelo seu sucessor, aquela terça-feira que nem eu, nem ela, nem todas as 40.000 pessoas que estavam ao nosso lado durante aquelas 3 horas de show. Mas nenhuma dessas quarenta mil estavam tão felizes quanto ela, durante essas 3 horas de show.
Foi um dia inteiro de pulos, unhadas, mordidas, gritos empolgados, trechos de música… “Aaaaaaai mããããno!” de anciedade. Um dia inteiro com o maior sorriso que o rosto poderia aguentar [e que também foi apenas comparável com o sorriso do dia seguinte].
[Sou bem a favor de que a felicidade não tem preço. Qualquer pessoa consegue fazer qualquer coisa se é isso que ela realmente quer. O clichê até se supera nessa frase. Uma pessoa não sabe o erro que comete em se privar de uma felicidade alcançável. Você pode, mas você não faz. O remorso e arrependimento acompanharão qualquer lembrança que tiver sobre o específico assunto. E fico feliz de poder ter prevenido isso para alguém que é importante. É isso ae. Good job, Vitão!]
E seu sucessor foi muito mais do que o imaginado, eu diria. O começo do dia já foi especial por causa que, naquela específica terça feira, eu não teria então uma das piores aulas da humanidade. Também o grande acontecimento da noite, tornou tudo bem agradável. Foi um dia de silêncio, até. A ansiedade cortava algumas palavras dela. O passeio foi todo meticulosamente calculado para o tempo exato do grande acontecimento.
Passam horas parecendo dias. E em todos os dias dessa terça feira foram feitas ligações para uma atualização ao vivo do que se passava na frente do palco [um obrigado ao correspondente Sérgio, aliás, por isso]. Voltamos para a casa dela, nos aprontamos e saímos em direção ao Anhembi.
Pessoas loucas, vestidas, fantasiadas, pintadas, bêbadas, ansiosas. Até meio perdidas. O metrô cheio, o vai-com-os-outros para chegar no lugar nos ajudou no momento. O Google Maps pulsava na minha cabeça, e eu apenas memorizando por onde tinha voltado para depois checar se o maldito não me enganou [e ele não me enganou mesmo. Danado]. O problema na entrada foi um detalhe do todo [pode acontecer com qualquer um. Aconteceu com vários, aliás, porque estavam juntos, com a gente, ali. Então não se preocupe].
Entramos, encontramos nossos correspondentes. Dr. Sin, até meu ver, nunca cantou PIOR. Mas sem problemas. Vou me ater ao que sei até agora: só gritava “Buceta!” quando me pediam, e isso foi o resumo da banda de abertura. E era patético ver a bateria da abertura, no palco normal, ao lado do palanque de uns 5 metros da bateria principal. Tipo David e Golias, mas Golias teve a esmagadora vitória dessa vez. E ao fim da derrota já anunciada de Davi, subiu-se uma grande cortina com os escritos “KISS” em branco, fundo preto. “AAAAAAAI MÃÃÃÃNO!”.
O resto é história.
Eu nunca, eu disse NUNCA, vou esquecer dela repetindo as seguintes frases, gritando de felicidade, à beira de um ataque. Eu diria que ela estava quase chorando de felicidade, mas só ela pode me confirmar. Mais do que o show, foi a imagem de vê-la gritando o show inteiro que já me fez feliz. Não teve preço.
…”You wanted the best, you got the best! The hottest band in the world… KISS”.
Nota: Isso, claro, foi um texto dedicado à minha querida namorada. Caso queiram outras impressões sobre o show, o antes, durante e depois, deixem-me saber desse interesse nos comentários. Grato. :)