Arquivo para maio \27\UTC 2007

No metrô

Lembro-me exatamente de como foi aquele dia. Tudo, cada detalhe, cada folha do chão, cada sombra de árvore, cada rachadura do asfalto na frente do ponto de ônibus. Não tão abafado como de costume, minhas mãos suavam, a camisa tremulava à onda de vento de cada carro que passava a minha frente. Tudo estava calmo como sempre na rua. O casal pouco a minha frente, sentados na guia da rua conversando, quase sussurrando, e o sem-teto bêbado em frente a padaria, gritando. Também me lembro de fechar a mão bem forte ao passar por ele, que estava portando um cabo de vassoura. Nunca se sabe.

O longínquo grito do freio do ônibus nos pontos anteriores já indicavam sua chegada. Nessa hora guardaria o aquecido ioiô pelas minhas mãos na minha mochila, e me preparava ao pegar o bilhete único, ao passá-lo para o bolso da frente da calça. Cheguei a me esfregar por alguns segundos tentando, em vão, me esquentar da brisa gelada que me atingia. Não precisei levantar o braço, a mulher que até então batia papo, já faria esse favor pra mim, apesar de ela mesma não entrar no ônibus. Entrei, e só a ouvi perguntando se o ônibus ia à direção da Lapa. Não, senhora: ele vai pro centro.

As músicas que ouvia não me marcaram, como geralmente fazem. A rotina de pegar o mesmo ônibus tornou algo quase sem significado depois da terceira vez que viajei nele. Pouco mais frio dentro do que fora do ônibus, me sentei nos últimos lugares, onde permaneci poucos minutos até chegar ao metrô. Desco do ônibus na sombra, o que tornava meu dia mais frio ainda, e encarei a primeira escada até chegar ao meu acento no vagão. Via pouco, pois o sol tampava minha tentativa de ver qualquer objeto muito longe. Entro na estação e pego as trêmulas escadas rolantes. Mãos tão suadas quanto antes, por cada vez mais estar me aproximando de meu objetivo.

Não perco tempo em correr à catraca e descer, dessa vez a pé, as últimas escadarias dali. Por agora o momento ter melhorado, eu não ouvi nada mais além da música que passava em meu MP3. Não pude, também, ouvir as falas surpresas das pessoas que ali me viam jogar ioiô. Senti um cheiro bem misturado de perfumes no ar. Me contive ao máximo para não olhar, quando só vejo reflexos amarelos de suas camisetas bem decotadas: um grupo de meninas, minha idade, com aqueles emblemas “CARNAFACUL” estampado, tanto no rosto, quanto naquela “coisa” que vestiam. Um som agudo toma conta de meus fones de ouvido e cobrem a música alta que eles lançavam aos meus tímpanos. O metrô…

Deixei o ódio que tinha por meninas daquele tipo alguns segundos antes voltar o ioiô a mochila e adentrar o vagão. Depois daí, só retirei minha mochila e repousei-a no chão, fazendo o mesmo comigo no acento individual, ao lado direito da porta fechada, ao outro lado. Sento, ouço as sirenes que, mais uma vez, cobrem minhas melodias, e vejo rapidamente o mesmo grupo de meninas sentando no banco da estação. Depois o que me ilumina são as lâmpadas frias do vagão, e minha música me distrai até a próxima estação…

Obs.: Seguindo propostas dessas dicas aqui, item 14. Parece legal, acho que vai ajudar. Piorar garanto que não. E tudo bem que tem mais de 200 palavras, é meu texto mesmo, e acho que não cumpri muito com o que pede ali. Mas tentei bastante. A estação que eu entrei NÃO é a Brigadeiro, e o resto do dia conto depois…

Respectivas funções

Nada, NADA, estaria certo no mundo se não completassemos nossas funções com sucesso. Todos temos nossas respectivas funções, das mais variadas, qualquer que sejam as ditas. Se você é um vagabundo nato, exerce a função com maestria e louvor (nada pessoal). Caso seja um advogado e tenha seu escritório, não saberei se esta cumprindo a mesma, pois não preciso de advogados no momento. Mas por agora veremos que você esteja sim, exercendo certo e bonitinho o que falamos.

Tudo move em constante sincronia, independente das batidas fora de ritmo que vez ou outra acontecem. Roubos, assaltos, seqüestros. Até uma guerra tá rolando no continente aqui do lado, mas é plausível pensar que tudo está se movendo como devia. Roubos acontecem pela inútil função dos batedores, e guerras acontecem pela inútil função de presidentes retardados, e, caso eles não fossem assim, e não estivessem fluindo com o tempo em seu lugar, seria até estranho.

Assim como os lixos de reciclar estão lá pra por um jeito e organizar o lixo, os pais estão na terra para enxer o saco dos filhos. E vice-versa. Pais não seriam pais se não enxessem o saquinho dos filhos. Filhos não seriam os mesmos se fossem sempre tão amorosos com os pais. E adolescentes (chatos) não chegariam nem perto de serem eles se não fossem rebeldes com o mundo, que é, querendo ou não, o que pessoas da minha idade fazem, e as vezes até procuram um refúgio. Um blog, por exemplo.

Já é conhecido que nossas cabeças são meio: lesadas, estragadas, fechadas, sombrias, escuras, com espetos, sem parafusos… Mas porque as pessoas continuam a nos enxer o saco? Só nós nos entendemos, e nem todos se entendem direito, diga-se de passagem. Porque ainda nos tentam entender, fazendo diálogos superficiais? Se não nos entendem, aceitem nossas curtas e grossas resposta como: “Sim”, “Não”, “Vai te catar…”… Nós sabemos o que fazemos. Pelo principal motivo de não nos apegarmos a ninguém, e querermos fazer tudo sozinhos.

Deixe-nos. Pare-me de enxer o saco e fazer repetidas perguntas. “Já fez a inscrição do ENEM?”, “Vai estudar!”, “Ficou de recuperação e ainda acha que tá bem pra fica no computador?”… Ok, afirmações também valem. Sem contar expressões e mostram como sua existência parece ser agradável, e também demonstram total fidelidade e credibilidade de sua pessoa: “Você não vai passar na faculdade esse ano. Nem em particular você passa”, “Videogames? Daqui a um ano você já vai esquecer isso e vai querer outra coisa” (isso a 5 anos atrás. Nota mental: Toma! Eu ainda não esqueci.). “Nem vou falar pra você ir estudar, de novo…”. Não fale então. Paradoxo maldito.

Já tenho idade pra ter opinião própria. E afirmar o mesmo. Além de provar isso, claro. A mesma idade não me permite dizer que posso me virar sozinho. Porém já sei o que é o certo pra mim, e o que é errado a todos os outros. Também já penso pra falar, não deixo meus irônicos pensamentos tomarem conta de mim, como faziam antes. E também sei o que estou fazendo quando respondo mal-educadamente. Sei quando necessitar de um laboratório de redação, também.

Em outras palavras: estou exercendo minha função de adolescente (querendo ou não, chato). A paciência está no limite e o saco já esta cheio. Pare.

Obs.: E me ajudem a não entrar nessa merda de laboratório de redação e comecem a comentar, pelo menos esse ano de vestibular. E me ajude a exercer a sonhada função de jornalista que quero na sociedade, ok? Primeiro e provavelmente uma das poucas que apelarei. POR FAVOR!

Papos-Cabeça

Poucas coisas se igualam, pouquíssimas, ao prazer de ter aquela conversa com pessoas agradáveis, simpáticas, amigas e, além de tudo, inteligentes. Pessoas que além de ter uma afinidade, elas têm um senso crítico próprio, uma opinião formada sobre o mundo e sobre a vida, até um certo ponto, claro. Conversas engraçadas, assim como as postadas nos “Diálogos”, e aquela conversa diária corriqueira, são praticamente necessárias, mas façam de um papo cabeça, tão diário quanto. A recompensa é inigualável.

Vi-me caindo em uma conversa dessas, dias atrás. Não que seja ruim. Com uma pessoa que gosto, é, como disse, necessário. Essas conversas vão de Lula a aquela menina ali da esquina; Do Sri Lanka ao Alaska; De um picles a um crocodilo. De sentimentos a emoções que, se não surgisse tal oportunidade, poderiam residir escondidas por tempo indeterminado. Descobrimos coisas que antes nem sabíamos, e trocamos segredos que só surgem a partir da confiança criada.

Acaba a descobrir coisas até sobre você mesmo, que não eram evidentes. “Nossa! Eu sou assim? Nem sabia…”, e só melhora sua situação consigo mesmo. Poderíamos todos sermos assassinos, e caso não ocorresse um fato desse, poderíamos nunca saber. Claro que esse não foi o caso… Que bom. Descobrimos sentimentos ocultos. Paramos para pensar um pouco e ver os detalhes com alguém – isso que também deveria ser diário. Observar os detalhes fazem a diferença.

Verdades são trocadas constantemente. Aí que também descobrimos que existem pessoas como você no mundo. Que você não é único, mas ainda assim continua sendo diferente de todos. Atitudes que fazem uma pessoa o que ela é, de fato. Atos e opiniões iguais sobre diferentes assuntos (alguns considerados um caso perdido por mim), acabam caindo no mesmo ponto de início. Paremos de pensar que todos na minha idade já se embebedam e caem aos montes no alcoolismo, e começo a pensar que, assim como eu, e ela, ainda existem pessoas que são contra a bebida.

Isso foi somente um exemplo dos milhares de assunto que surgiram durante as horas que conversamos. Um, levemente relevante para mim, que costuma dar importância e atenção maior em um assunto como esses. Certeza voltarei a tocar nesse assunto. Mas depois… Outros milhares como notas, provas, amores e fracassos, ônibus para diferentes lugares passam com a mesma normalidade e interesse na conversa.

Porém, principalmente, o foco foi em opiniões. Sentimentos e posições de cada um na vida. Sinceridade, honestidade, o que acontece e está acontecendo na vida dos dois, como vemos e encaramos essas, algumas dificuldades, outras apenas etapas, na vida. Como nos comportamos diante de coisas que muitos desconsideram, e até como nos resolvemos amorosamente. Estilos diferentes, sexos diferentes, gostos diferentes. Acho que aquilo de opostos se encaixa mesmo.

Esse texto não passa nem perto de ser alguma coisa amorosa, que eu comecei a gostar de alguém e estou apaixonado, nem nada disso. Apenas coincidiu de sermos dois amigos do sexo oposto, conversando sobre coisas não típicas de nosso dia-a-dia. E isso se comprova com outras conversas. Outros dias, com outra pessoa. E a partir daí passo a comprovar: aquele tipo de conversa “ping-pong” (perguntas e respostas curtas, sobre tudo), é o tipo de conversa que pode se extrair o máximo.

Como um papo cabeça também proporciona a você o descobrimento de coisas sobre você mesmo, “ping-pong” o faz igualmente, e em dupla transação. Assim como descobre fatos sobre si próprio, o outro cidadão também tem de se abrir ao mesmo nível. Te fazendo, assim, descobrir coisas que não faria a mínima idéia antes dali, mesmo que o papo seja com o “melhor amigo”. Fato quebrado a partir daí: melhores amigos não existem, muito menos sabem tudo um sobre o outro, e você NUNCA irá conhecer alguém por completo.

Recomendo altamente, leitor, ter um papo assim com alguém. Tanto um papo bem sossegado, quanto um “ping-pong”. Não garanto que começarás a enxergar tudo de outra maneira, mas posso dar minha palavra que alguns segredos serão desencadeados, e assuntos que nunca antes pensara em discutir, serão tocados.

Diálogo III

-Muda de canal velho!
-Relaxa, pulei já a parte…
-É só escolher o programa, não precisa mudar o canal

-Pulou?!
-Sim -Pode pausar, rebobinar, adiantar e etc.
-Ok. Sem comentários
-Essa tecnologia me põe: códigos em elevadores, rebobinar no canal de TV, rolamento em ioiô…
-Aparelhinhos que a gente usa pra falar com outras pessoas..
-Também, também! E eles já tão até tirando foto e tocando música rapaz!
-Nossa, mas… Onde põe o filme!? E a fita?!
-A tecnologia tomou conta de tudo isso!
-Já estou me esquecendo de quando pegava meu velho LP do Topo Gigio e punha no meu toca-disco pra ouvir aquela agradável melodia. Gratificante.
-Sim, deveras apraz
-A tecnologia esta nos deixando para trás… Melhor nos preocuparmos.
-Sim.
-Deprimente, até.
-Daqui a pouco você me fala que tem algum jeito de falar, sei lá, com alguém da Rússia, sem ligar pra uma telefonista e pagar uma fortuna…
-Não se espante. Mas fiquei sabendo que já tem uns jeitos sim.
-A princípio achei que era coisa do demônio, e deixei irrelevante. Porém tenho a leve impressão que há uma massa da população mundial nessa.
-Como assim?!
-Não posso repassar mais nenhuma informação.
-Acho que é de um tal de computador por aí…
-Ah, mas cabe nas casas? Porque eles têm o que, 500kg? E ocupam uma parede inteira?
-Novamente, e espantosamente, a tecnologia toma conta disso…
-Como assim?!
-As más línguas dizem que a tecnologia faz computadores de 2kg, e cabem em uma mesa. Parecem, literalmente, cadernos, que quando abertos, revelam um universo paralelo.
-Pff. Isso tudo é balela… Deve ser aquelas caixas pretas, com aqueles “etch-a-sketch“, sabe?
-Será?
-Só pode…
-É uma massa muito grande de cidadãos. Todos mentirosos?
-Deve haver um clã de intrigas/boatos desse jeito… Pré-futuristas.
-Pois é…
-Coisas tão grandes assim… Só em outro mundo mesmo.
-Engraçadinhos.
-Sim. Quem sabe em uns 50 anos, eles façam essa tal “mini-máquina de conversas mundiais”…
-“…que nos levam a universos paralelos no quesito ‘comunicação mundial’…”
-Sim… Por falar em comunicação mundial: você acha que algum dia a humanidade consegue ir a algum lugar fora da Terra?
-Sinceramente: apesar de achar isso assaz interessante, e torcer para que isso aconteça, não.
-É que se tudo isso que você esta me falando agora for verdade, então aquele boato que eu ouvi esses dias deve ser também.
-Que boato?
-Ah, ouvi umas pessoas falando de um cara que falou “um passo para o homem da humanidade” ou algo assim, quando pisou na lua… Comecei a rir sozinho.
-Lua? Agora: iiiisso sim é impossível. Ela tá no céu!
-Sonhadores… Me impressiono com tal capacidade de invenção de histórias. Quanta criatividade jogada fora.
-É. Que pena.
-Pisar na lua. Estou rindo sozinho por aqui também.
-É! Lá perto de Deus. Pff… Nem ar deve ter lá!
-A pessoa que inventou essa história aí deve ter esquecido desse detalhe. Sem ar não sobrevivemos! Dã!
-É… A não ser que façam uma roupa com ar dentro… Mas ainda assim, acabaria! E voltando ao básico: como chegar lá!?
-Balão?!
-Voando?!
-Ai, ai… Essas histórias. Roupas com oxigênio dentro…
-Me faz lembrar daqueles desenhos dos personagens com aquários na cabeça.
-E canos ligando com uma… Nave?
-Hahaha… É, nave… Um disco voador… Hahaha…
-Disco Voador… Hahahahah
-Quanta baboseira.
-É. É como achar vida em outro planeta! Pff…
-Outros planetas? Existem?! Como assim?!
-Ah… Tem o sol e a lua né? Então por que não ter mais? Nunca se sabe…
-Só me falta você entrando para o grupos dos “boateiros” de hoje…
-Tá certo, tá certo. Chega de especulações… -Bom, eu já vou. Minha vela está acabando, então é hora de dormir. Boa noite.

Obs.: Normal, eu; Negrito, Guilherme.

A pior dor do mundo

Juntando tudo o que tenho passado recentemente, e se tivesse tal talento, com certeza sairia uma bela música. Com a devida escolha das palavras e o ritmo que poderia me inspirar a qualquer horário, enquanto escreveria essa letra, uma música feita poderia sair de minha imaginação muito fácil. Porém não tenho nem tal dom, nem tal criatividade, por isso escrevo neste blog meia-boca, já que ninguém lerá mesmo. Ok. Ninguém não. Quem quiser que leia, alias.

Um minuto para cultura inútil em um blog sem cultura nenhuma: saibam (se já não sabem) que a palavra saudade só existe no português, e em mais nenhuma outra língua, sendo assim impossível de outros povos, culturas e pessoas, expressarem esse sentimento. Sentimento que mata, e com o tempo, se não mata, vira uma constante.

Saudade aquela coisa que, assim mesmo por outras pessoas não poderem falar, é inexplicável. É a falta de uma parte de teu corpo, de tua alma, teu coração. Um desfalque em seu time de ataque ao futuro que, na maioria das vezes, sem ele, você perde. Um elemento essencial no bom decorrer de sua vida que, se não presente, manda-te uma rocha no caminho. Rosas só na glória de tê-la de volta, nos teus braços, na segurança que ela te dá de viver. Essa que também aparece não só na falta de alguém, mas na falta de alguma ação, algum sentimento bom que te marcou, e te deixa sem reação pela falta dele.

A partir de alguns pontos marcantes de sua vida, começa-se a tomar outros pontos de referência, outros rumos, e por ventura, acaba descobrindo coisas sobre você mesmo que era desconhecido de qualquer pessoa até então. Começa a rever conceitos sobre as mesmas coisas que poderiam estar em certeza dentro de sua cabeça. E de uma maneira não radical, mas todos passam por isso, começa a ver TUDO de outra maneira. Outros pontos de vista, com outras opiniões, discussões e decisões antes tomadas sem precauções, serem redecididas.

Falo de “saudades” nesse texto porque me refiro a muitas coisas que estão acontecendo agora, com certas pessoas, em certos lugares, de várias maneiras. A saudade se aplica em todos os casos, excepcionalmente aqui, mas alguns outros sentimentos que falarei, que juntos sim formarão a pior dor do mundo, limitados para apenas alguns casos.

Junto com a saudade, te vem a negação. Negação não, pois não sei dizer exatamente o que é que sinto ao lembrar da saudade que tenho de conversar com ela. Parece mais um… Impedimento. O bom senso que me impede de ir conversar com ela. Tenho o direito, mas não quero. Preciso disso, mas não posso! Quase um anti-corpo automático. Esses problemas amorosos… Melhor eu parar de pensar em coisas assim, principalmente na fase que estou, e do jeito que sou. Se tudo cooperasse e o mundo fosse um lugar perfeito. Ah, como seria mais fácil. Se ela aceitasse, antes mesmo de mim, que continua a me olhar, como eu iria falar, e não teria esse “impedimento” para me parar.

Como, também, gostaria que as pessoas fossem verdadeiras. Digo algumas, não todas. Preciso falar, preciso tomar providências diante dos fatos que nos cercam e acertar e aceitar todas a verdades que doem e curam. Se a negação fosse mais difícil quando eu dissesse que continuas olhando para mim, e ela aceitasse sim, e a sinceridade transparecesse nesse momento, quando poderia dizer qual seu medo. Preciso conversar com ela, mas não posso. A intuição e a certeza que tenho do que vai acontecer me impede.

E acima de tudo, agora a dor da rejeição. Aperto no coração. Que junto com a saudade e o bom senso do impedimento, só nos acabam mais e mais. Que supere os dois outros compenentes de sentimentos desse texto. Essa sim é a pior dor que alguém pode, pôde ou poderá sentir em sua mísera vida inteira. Amar, ou simplesmente gostar, e não ser correspondido, em nenhum sentido. Aquela admiração por uma pessoa que você gosta e quebra aos montes e se esparrama no ar, queima e vira cinzas sem ao menos você ter a chance de concertar isso que você tem no peito. O mundo não para. Olhar o objetivo e sentir um desprezo por dentro, um ignorada colossal de nem sequer trocar um olhar. É sentir, e não ver nada de retribuição.

Agora: junte os três. A dor da saudade, a rejeição em você e depois a rejeição do outro. Juntos ou separados, esses matam qualquer vestígio de amor que bate a cada segundo em meio a seus pulmões. Essa é a pior dor do mundo. Uma dor que te impede de pensar direito, até de viver certo. Se a dor aliviasse por pelo menos alguns meses, as coisas seriam diferentes. Bem diferentes. Se me fizesse o favor de esquecê-la, e se a data marcada fosse antecipada para a chegada de meu anjo, como tudo tomaria outros rumos.

Crueldade é verdade

É permitido, no mundo que nós vivemos, infinitas coisas. Xingar o próximo é uma delas. Sim, o respeito sumiu. E cada vez mais isso fica evidente, quanto mais sincero eu fico. A sinceridade é um dom. Ou uma maldição? Deveria ser considerada um pecado ou uma dádiva? Seguimos o raciocínio: se a verdade é cruel, e a crueldade é ruim, logo a verdade é ruim. Pelo sentido da palavra “ruim”, não é uma coisa boa. Se não é uma coisa boa… Bem… Daí por diante.

Atualmente me fiz o favor de ficar mais egoísta, anti-social e estúpido ao adotar uma política de honestidade. Não falaria a mentira, nem poria em prática a falsidade, a não ser que em algum caso extremo, totalmente extremo, alguma das duas forem necessárias. Até o momento não foi. E que continue assim. Mas tenham certeza de que tudo flui com mais naturalidade ao ato de verdade. A revelação de alguma coisa nova é constante, e daí se percebe os que gostam de você de verdade ou não. Só estão ali para a prática do encosto.

Todos temos de aprender a falar um “NÃO!” convictamente na vida. Dias de experiência própria são raros, e hoje foi um deles. E bom ao de hoje foi negar um gole de um determinado líquido do qual sou viciado (não, não é álcool) para um amigo. Amigo não, que se esse fosse o caso, a negação não seria necessária. Mas sim para uma… Conhecida, por assim dizer. Após o quase-educado pedido que saíra de suas cordas vocais, um belo, claro e sonoro “Não” foi dedilhado por mim. Sem dó nem piedade, sem dor no coração e sem nenhum pingo de arrependimento (o gole que seria dado por ela hoje já está no esgoto. E deliciei cada mili-segundo que ele passou pelo sistema digestivo).

Depois de um ato desses, tudo o que você ouve (ou no meu caso ouvi, mas não foi a única pessoa, nem vez): “Nossa que filhadaputa!”. A educação antes gasta para pedir uma amostra de meu alimento, agora é desperdiçada em vão no não-tão-vingativo xingamento. Aposto que ela não sentiu o mesmo prazer que eu senti ao negá-la. Nem de longe. E é aí que fica bem claro: se as pessoas gastassem mais tempo pedindo coisas com educação, e menos tempo xingando-as depois, o mundo seria um lugar melhor. Assim como se todos falassem a verdade e se não tivessem guerras. O mundo é belo. Ou não.

Assim como quando um conhecido me perguntou qual a profissão que ele tinha cara. Minha honestidade não foi exercida, mas ela me impediu e me deu a educação de negar me falar meus reais pensamentos, que se não já feriram, poderiam ferir os sentimentos da pequena criatura. Mas claro: quando uma coisa é pra ser assim, assim ela será. Após repetidas palavras de insistência, fui obrigado a desferir minha real opinião do indivíduo. “Cara: você parece um bixeiro. Ou traficante de droga. Mas aí você que sabe…”. Diante das características físicas dele, vocês concordariam.

Porém antes de terminar o texto só quero esclarecer umas coisas, vejam bem: tudo foi pura verdade. A verdade que é cruel, não eu. Claro que nessas oportunidades a verdade que me faz ser cruel, mas no fundo, sou uma pessoa boa, de boa índole. A verdade que é cruel, e eu só faço o favor de repassá-la.

Sem contar os benefícios que ser verdadeiro podem trazer para um ser humano. O mesmo, por dizer a crua verdade constrói sua personalidade a partir dela (tudo bem que já era considerado muito ignorante antes disso). Nunca terás fama de falso e não-amigo. E nunca terás problema de faltar um gole na sua Pepsi, quando você precisa dele para se refrescar em um frio de 10,7 graus Celcius.

Obs.: Texto escrito com certo cinismo e ironia. Ainda escrevo um texto sobre “Verdades” decentemente, juro.

Diálogo II

-Meus grafites tão se multiplicando igual coelho!
-…
-É sério. Toda vez que cai no chão, uma nova ninhada nasce.
(Lapiseira cai no chão)
-Aí ó! Deve ter uns 10 novos…
-Eles se multiplicam em uma velocidade muito grande! É quase impossível de acompanhar. Daqui a pouco eles vão sair com a tampinhada lapiseira por falta de moradia.
(Quebra a ponta, sem querer)
-Aí um filhotinho novo. Tchau filhotinho. Vai com Deus.
(Rindo demais…)
-Dá pra parar de rir um pouco?
-Minha lapiseira é um bordel de grafites. Deve ser uma putaria sem limites nesse espacinho minúsculo. Grafites tem essa proeza de multiplicar-se em menos de 1cm²… Isso é pra poucos.
(Chorando demais de tanto rir)
-Acalme-se… Não falo mais nada também.
-Só falo que to até com medo de abrí-la agora. Se eu abrir vai sair umas camisinhas voando, sutiãs e uma fumaça rosa vai tomar conta do ar em nossa volta. Típico de bordel…

10 minutos depois ele se acalma, com a cara e a barriga doendo de rir. Sinceramente, foi tão engraçado?

-Diálogo II- Dois

-Como você consegue ser tão magro, e não engordar?
-Eu só como merda. E falo muita também, pra balancear.

Obs.: Acho que diferenciar as falas por negrito é uma boa idéia.


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