Clichês

Não é de hoje que penso isso, e esta longe de ser que assim começarei a pensar daqui em diante. É uma coisa que é fato, estamos vivenciando isso há um tempo, e só não enxergam porque são burros, ou porque simplesmente não aceitam encarar a verdade. Tudo hoje em dia é um clichê. Um grande e massivo clichê. De pessoas, gostos, opiniões. Simplesmente. Todos englobamos tudo em um certo grupo pré-determinado, praticamente. Cai em nosso conhecimento qualquer coisa, e já a etiquetamos e mandamos para o raio que o parta, ou para onde for mais conveniente.

O melhor exemplo que posso citar quando o assunto é clichês, sem contar que vai ser muito fácil me basear nisso, tanto por ser mais novo, quanto por estar em evidência, são os emos. Eu odeio citar o nome de tal raça aqui neste espaço, mas sacrifícios sempre são feitos para bens maiores, e esse é um deles. Tudo hoje em dia virou emo, já perceberam? Tudo. “Aquela folhinha ali da planta tá caindo de um jeito meio estranho, hein… Que emo.”. Esse exemplo, além de engraçado, é um pouco verdadeiro: tudo o que hoje citamos como viado é repassado e classificado de emo.

Franjas não são emo. All-Star não é emo. Cinto de rebite também não é emo, e, por incrível que pareça, pintar as unhas também não é emo. Agora: a junção de todos os fatores citados sim, torna uma pessoa bem jeitosinha e pendente para o lado negro da boiolisse. Mas todos acabam generalizando: tem franja? Usa All-Star? Cinto de rebite? Unha pintada? É tudo emo, do mesmo jeito. E acaba sendo assim com os demais. Colar de prata? Pagodeiro. Cabelão? Metaleiro. Roupa rasgada? Cover do Kurt Cobain. E digo cover porque o punk verdadeiro, o hardcore, o hardrock/rock’n’roll, o forró, a MPB foram todos banalizados por essa ondinha. Se tem guitarra e uns cara gritando, é emo. Se tem batidinha animada, é pagode. Se é calmo, é MPB. E se tem dançarina é um funk putaria!

Em um mundo onde todos pensam assim (até eu, de algumas formas, em alguns sentidos), onde ficam os que têm opinião própria, os que querem fazer diferença, os que têm ideais e princípios, e querem ter um futuro? Banalizados, junto com as outras categorias já citadas. Opinião própria é um crime onde tudo é um grande clichê. Se você é um pouco “assim” diferente da sociedade que te cerca, você é praticamente um excluído. Se gostas de uma coisa específica, de uma coisa sua, e você acaba se encaixando em mais de um grupo além de emos/pagodeiros, a tendência é te excluírem.

E falemos também por outros lados. Eu peguei aí um gênero musical por ser bem fácil de explicar e exemplificar. Mas atos bem clichês na sociedade juvenil hoje estão acontecendo. Não vou mentir que 99% de todos os meus amigos estão nessa, e tenho total nojo e pena de diante de tal fato. E esse é, generalizando: todo mundo só quer beber. Quantos adolescentes, menores de idade, que nem idéia do que estava fazendo tinha, vocês já viram com um copo na mão? Tenho pena só de pensar no número. Casos de alcoolismo juvenil, pessoas com 16 anos em coma alcoólico, tomando soro no hospital, depois da “balada”. Morra de overdose precoce.

Tudo virou um grande e massivo clichê nessa sociedade que estamos hoje. Pessoas indo pras festas pra ficar, beijar meio mundo, beber até não aguentar mais, cheirar o próprio nariz, fumar até transformar tudo em fumaça. Não todos são assim, mas, repito, isso é generalizando.

Uma pena.

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1 Response to “Clichês”


  1. 1 Everaldo Vilela dezembro 22, 2007 às 12:41 am

    Paradoxalmente não ser clichê é um clichê.

    E por mais que tentem ser diferentes acabam sendo iguais tentando ser diferentes.

    Como diria engenheiros do hawaii: ‘são todos iguais e tão desiguais, uns mais iguais que os outros’.


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