Arquivo para agosto \18\UTC 2007

Meu problema com problemas

É. Bem estranho quando você está feliz… Você espera que tudo dê certo, lindo e maravilhoso, mas realmente: por melhor que esteja, SEMPRE pode estar melhor. Ultimamente a felicidade tem tomado conta de qualquer outro sentimento meu. Seja ele de dor, tristeza, orgulho ou qualquer outro mesmo, a minha felicidade está tão extrema, tão contagiante me arrisco a dizer… Fico até sem palavras. E devo dizer também que nem são motivos específicos. A junção de várias coisas estão fazendo meus dias realmente cansativos, se tornarem dias realmente cansativos porém felizes.

Mas um fato interessante acontece nos mesmos instantes que esbanjo felicidade em meus olhos, algumas das minhas pessoas mais queridas estão infelizes. Mas onde já se viu?! Bem na hora que me digo feliz, bem nos melhores dias, bem quando me sinto de uma maneira que não me sentia a muito tempo, que não me lembro nem de tê-la sentido, alias, meus amigos mais queridos entram em foças das quais eu acabei de sair e fugir para bem longe? É de se derrubar. Foram problemas com eles que afetam. Problemas que eu NÃO SEI LIDAR.

Esse é meu problema com problemas. Alias, esse é um dos meus problemas com problemas, pois tenho vários. Citarei os dois que acabo de perceber, só pensando em escrever esse. Primeiramente, eu odeio problemas. Problemas me deixam ruim, pensando em coisas ruins, e pensando em coisas ruins, (apesar de não acreditar) eu atraio coisas ruins, e aí fica um efeito dominó que só para quando… Bom… Sei lá quando. Mas só param após um belo tempo.

A primeiro problema com problemas é que eu não sei solucionar um problema. Quando eu falo amigos, é porque eu realmente gosto do fundo do coração deles, e a última coisa que quero ver são eles tristes. Porém, se eles estão tristes, eles estão com problemas, e se eles estão com problemas… Bom… O mais normal seria eu ajudá-los. Mas se eu não consigo ao menos solucionar meus próprios, como vou tomar conta dos dos outros? Eu me sinto um amigo inútil. No final sempre me sobra o pouco de sinceridade e o não-tão-nobre ombro amigo. São meus últimos recursos. “Olha… Eu não posso te ajudar. Alias, nem sei como te ajudar. Mas saiba que, cara, se você precisar, estarei aqui…”. Horrível, recursos escassos de solução de problema é um problemão.

Um outro problema meu, com problemas: eu não sei ficar sem eles. O melhor exemplo, agora: eu estou feliz. Mas eu não aguento ficar feliz por muito tempo, logo, eu começo a caçar coisa ruim pra acontecer. Eu me acomodei tanto no fundo do poço, fiquei tão bonitinho, lá, ajeitando minha bunda ao lado dos problemas, que quando eu fico sem eles, parece até saudade. Eu e meus problemas formamos laços de amizade!… Mas que coisa absurda. Mas é uma verdade. Eu estou feliz, parece que quero problema. Não atraio, mas quero. Caço. Vou atrás de problemas… onde já se viu, viu?! Que coisa mais absurda.

É frustrante você não resolver seus próprios problemas. Mais frustrante ainda, é você não poder ajudar um amigo que tem um problemão nas costas. Aí você tem a única coisa que o bom senso te obriga a oferecer, o ombro-amigo. E não é legal, porque ninguém aceita o ombro-amigo. E aí encaro a realidade que estou impedindo minha felicidade de seguir em frente, porque problemas são mais legais?!

Eu to ficando doido, não é possível.

Diferenciação e Conscientização Social

O mundo, e todos os habitantes dele, literalmente, precisam rever todos os seus conceitos. Só consegui sentar na frente do computador e escrever esse texto porque juntei material [até mais] do qe necessitava. Sem conta que já é um assunto que venho pensando há um tempo, e cada vez mais tomo minha posição sobre o assunto. Pode ser engraçado, inexplicável, ultrajante, e outra série de coisas, mas cada um que tome sua decisão e posição. A minha vem a seguir.

Há mais ou menos um ano e meio, completando recentemente, eu “entrei no mundo” da arte de rua. Grafiti, stickers, intervenções urbanas em geral, eu prefiro até dizer. Acho que abrange melhor a área que eu, primeiramente, gostei e me identifiquei. Por final resolvi fazer. Começando pela idéia que nada é tão simples como parece, aqui eu me deparei com muitas coisas, boas em geral, que me fizeram gostar ainda mais do que andei fazendo nas minhas horas vagas. Eu comecei a colar stickers, e não sai muito disso. Não fiz posteres, nem grafiti, nem nada. E além de arranjar poucos, mas por hora, ótimos amigos fazendo isso, também descobri: que tem aqueles que colam porque querem aparecer (apesar de negarem até morrer), e vi até alguns grupos se juntando.

Já foi o tempo que a arte de rua/intervenções urbanas podiam ser consideradas coisa de marginal, subdesenvolvido, de baixo nível social. A arte de rua tem crescido incrivelmente no conceito de muitas pessoas, e já pode, se não já é, considerada arte. Pior é que ainda tem pessoas que não consideram arte, que acham que só quem é de periferia e essas coisas. O mais estranho também: algumas [poucas/pouquíssimas] das pessoas que fazem intervenção urbana, acham isso! Beira o absurdo, do meu ponto de vista. E com certeza: pessoas que acham isso caem MUITO no meu conceito. Ao menos poderiam pensar: “Deixa ele fazer ae, e ponto final.”. Alguma opinião mais “não fede, nem cheira”.

Não me considero artista, também não me considero “intervencionista urbano”, nem nenhum outro rótulo que possam dar para quem vai na rua colar uma bosta de um adesivo no poste. Eu sou apenas um cara que cola adesivos na rua, tentando fazer alguma mudança. Não colo pra aparecer, nem pra parecer malandrão, nem anda do tipo. Colo porque gosto, e isso já me trouxe um retorno altamente satisfatório, e não penso em parar de colar. Mas isso é o que eu acho de mim. Você pode pensar algo totalmente diferente.

Outra coisa que não faz nenhuma diferença, é eu ter, ou não, poder aquisitivo para isso. Quem pensa que quem faz isso é pobre, precisa rever seus conceitos sobre sociologia e classes sociais e qualquer outra coisa que envolva o que determina a classe social das pessoas. Quem faz o que faço tem é dinheiro pra gastar com isso, porque quem faz sabe que é um tiro no escuro, e quem começa pode saber que isso só traz algum retorno raríssimas vezes, e pra isso você precisa ser bem respeitado, ter experiência e fazer um ótimo trabalho. E ainda assim: conheço pessoas com as características citadas, e só continuam por total paixão e dedicação. Literalmente: tem que gostar.

E na rua, o que te faz ser quem você é não conta. Na rua todos são iguais para uma olhada geral. Partindo disso, não posso julgar, assim como os outros também não podem me julgar. Então se eu colo stickers e sou “Sei-lá-de-onde”, e contando que “Sei-lá-de-onde” é um bairro ruim, e outra pessoa cola e é “De-lá”, e “De-lá” é um bairro bom, na rua, não faz diferença. Creio também que TODOS tem parentes que querem que ele seja alguém na vida, dão suporte moral e econômico, independente da classe sócio-econômica que este se encontra, e os pais tentam dar de tudo do bom e do melhor para o filho.

Fazer colagens, intervenções urbanas, não torna nenhuma pessoa mais rica, isso não torna nenhuma pessoa mais pobre, também não precisa ser um pra ter que fazer. Não sei se peço coerência ao julgar o caso. Acho que é uma coisa muito mais complicada do que apenas isso que citei aqui, até porque passei por detalhes que podem até fazer alguma diferença. Um branquelo que pensa que faz diferença colando um papel branco com um desenho que nem dele é, nas ruas. Aos seus olhos, a história pode ser totalmente diferente.

Parem pra pensar, pelo amor de Deus. Enxergue-se antes de enxergar o outro.


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