Arquivo para março \31\UTC 2008

Quando te entendem

Como nunca nada é aplicado a apenas uma pessoa (e, acredite: isso é verdade), isso não deve acontecer só comigo. Uma das poucas coisas que não lhe causam preocupação é quando um ponto de vista seu, ou qualquer outra coisa que necessite explicações, é bem entendida pelo receptor. Igualmente bom é quando você entende coisas no mesmo nível: entender matemática, por exemplo, não é bom? Poucas pessoas entendem, então o número de pessoas que responderão essa pergunta é meio limitado. Não querendo chamá-lo de burro, mas se a carapuça serviu… Enfim! Continuaremos com o texto. Acho que o assunto é bem mais profundo que isso.

Pessoas que conseguem ser compreensíveis assim, não que sejam coisas rara, mas são poucas na vida de cada pessoa. Felizmente tenho muitas em minha vida, mas as vezes poucas delas se mostram realmente esforçadas a entender o que penso. Não necessariamente o que penso, mas se pelo menos mostrassem menos desprezo por alguns pensamentos inúteis que tenho, demonstrariam menos essa impressão. Acho muito bom quando posso falar com uma pessoa que consegue me entender, e quando não, que possam me ajudar. Porque as vezes nem eu me entendo, o que faz todos terem mais credibilidade, por pelo menos tentar.

Quando tudo o que você pensa, faz e espera entram em harmonia. Quando um plano seu entra em execução, e tens o retorno esperado, se não um retorno até maior. Quando a idéia que você quer passar, fazendo ou deixando de fazer, falando ou não falando, mentindo ou omitindo (que, por favor pessoal, são coisas totalmente diferentes), é entendida perfeitamente. Até porque depois de todo o pensado, planejado, ou seja lá o que, não tem mais porques de continuar escondendo o que previamente privou de mostrar.

Tem também as que entendem mais do que todas. As que vamos falar agora tem destaque até maior do que potenciais superiores, mas exatamente o diferencial dessas potenciais superiores as tornam não tão especiais quanto as ditas nesse parágrafo. E são difíceis de se encontrar. Porque é fácil falar que te entendem, mas não entendem porra nenhuma. Difícil é falar que te entendem, e demonstram isso. E quando isso acontece, é aí que você tem a prova de que o negócio é concreto. É difícil você entender uma pessoa sem ter passado pelo mesmo que ela. Então se você consegue tal coisa, seus amigos têm sorte de conhecê-lo. (Se bem que acho esse conceito bem complexo. Falarei sobre isso num texto futuro.)

Uma outra peça, de todas as que te entendem, são pessoas que passam ou passaram pelo mesmo que você, e sabe como poucos o que possam pela sua cabeça. Mesmo que nada nunca seja igual (não vai acontecer EXATAMENTE nas MESMAS condições isso tudo com alguém, pode acontecer parecido, mas igual não), elas podem dar, junto com as citadas acima, a pequena luz no fim do tunel. Se tem como diferenciar, mas ainda não elevando-as, são que essas podem te dar um veredicto do “depois”. Te mostrar uma das possibilidades do que pode acontecer com sua pessoa se tomar decisões que a leve ao mesmo caminho. E conselhos.

Um ser como eu nunca faz algo pensando em si. Quem me conhece sabe como sou. Mas quem lê o blog e não faz a menor idéia e acha que é um coelho voador com jetpack e visão raio-x, tipo o coelho do Kinder Ovo, que escreve aqui, faço um pingo de questão de apenas citar algumas das (irritantes) características do senhor dono desse blog: sou muito pessimista, e uso a desculpa de que sou realista para não admitir de fato isso (mas no fim acaba sendo um pouco de verdade); me diminuo tanto que nem sei comparar com alguma coisa depois que comecei essa frase; não tenho noção alguma do que eu faço/falo/qualquer coisa mais aplicável. E quem sabe de tudo isso, por favor, comprevem aos demais que o que eu falei é verdade.

Esse parágrafo acima serviu exatamente pra falar que quando faço algo, não faço sem pensar nos outros. E se fiz algo que prejudicou alguém, em qualquer sentido, principalmente alguma pessoa que amo, foi, sem dúvida, sem pensar, ou que saiu tudo fora do planejado antes do mesmo acabar.

Off: Eu sei que quem eu gostaria que lesse esse texto, o lerá. mas também sei que outras pessoas que foram afetadas por tudo isso, infelizmente, não lerão. E não só esse, como a trilogia que se seguirá a partir desse. Isso se não tiver uma futura 4ª parte.

Desculpa.

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Morcegos correm

Agora, numa tentativa talvez frustrada de subir um pouco o astral de tudo aqui, que muito provavelmente terei o prazer de estragar com alguns textos futuros (afinal, meus textos não transbordam felicidade), escreverei um fato bem engraçado que aconteceu há muito tempo comigo. Se bem que o fato de “tempo” é sempre distorcido… Então tá. Aconteceu no segundo semestre do ano passado, antes de setembro, se bem me lembro. E engraçado também para os que vêem. Se acontecesse com você, teria corrido tanto quanto, ou até mais que eu, na hora.

Estava serelepe voltando a pé pra casa. A pé da metade do caminho: tinha descido na estação vila Madalena do metrô, e fui feliz, com a música alta no ouvido, e cansado. Muito cansado. Era de noite já. Se bem me lembro, e eu me lembro porque realmente foi traumatizante, eram umas 7 horas da noite já. E atentem: era noite. O que torna o acontecido pior. E, pela hora, era para eu estar em casa. Então eu tava mais preocupado com o que eu iria ouvir quando eu chegasse em casa do que se eu fosse atropelado.

Tinham vários caminhos pra eu chegar em casa mais rápido. Alguns poucos eram ladeiras. E como pra descer qualquer santo ajuda, sempre escolhia ir rolando ladeira abaixo do que andar em retas planas. Tirando que também nas ladeiras também tinham sombras nas horas de sol. Mas era noite. Mas esse fato ajudou-me a criar o habito de sempre ir pelo mesmo caminho, chuva, sol, ou pregos.

E uma coisa que sempre me chamou muita atenção (costumo observar muito, tudo) foi uma casa, em uma esquina em V, que tinha uma torre enorme, e estava sendo construída ainda. Essa torre tinha aspectos antigos, parecendo castelos medievais, com janelas nos mesmos formatos, e sem um teto definido. A casa inteira, aliás, estava em construção (espero já ter esclarecido isso anteriormente, mas em todo caso, acabo repetindo aqui), e a torre, por sua altura, se desatacava do resto. Até porque a torre estava em concreto, e o resto de uma base que pode se chamar de casa, em tijolinhos. Deveras feio, porque não combinava. Mas não sou decorador, nem arquiteto, nem engenheiro, nem pedreiro. Então me rebaixo à rele posição de transeunte cheio de opiniões.

Ela inteira, por tudo o que já falei, e por alguns outros fatores intensificantes, tinha aspectos sombrios: ela é meio escondida. Apesar de ser em esquina, tem várias árvores cobrindo boa parte da faixada da casa, calçada quebrada, portões pequenos e enferrujados, abandonada e em construção, objetos de construção, tijolos, pedras, sacos de areia e cimento, facilmente vistos entre as frestas do portão, e pombas. É incrível como pombas transformam a aparência de uma casa. Mas lembrem-se que não estamos falando de uma casa normal, estamos falando de um possível laboratório científico macabro, com aspecto de castelo medieval, abandonado ou quem sabe um buraco de minhoca pro Acre. Nunca se sabe.

Ela fica localizada no final do primeiro quarteirão da rua a qual eu descia, então pelo menos na risca do topo da árvore mais baixa ao lado da torre eu ficava, e nesse dia, descendo, avistei COISAS voando. No literal sentido da abreviatura, OVNIs. Eu estava de fone de ouvido, e já sou meio cego, na hora não liguei muito. Eu sempre passava do outro lado da rua. Tamanha era minha distração, que acabei por, nesse dia, passar ao lado da casa, embaxo das árvores que a cercavam. No intervalo de uma das músicas, único momento que conseguia ouvir alguma coisa, ouvi grunhidos agudos. Estranhei muito…

E não é que olho pra cima e tem um MORCEGO ME ATACANDO?! Cacete! Tudo ajudando pra eu nunca mais querer morar naquela casa novamente! Morcegos me atacando em plena 7 horas da noite na rua! Corri como uma gazela fugindo de seus predadores na savana africana às 3:37 de uma tarde de domingo. Porra: morcegos! Morcego é aquela coisa que é automaticamente ligada a um desenho ou a um filme muito antigo, drácula, e essas coisas. Do tipo: “Corre que eles vão te comer vivo, e chupar meu sangue e corre!”. A última coisa que eu precisava no dia eram morcegos me atacando.

Agora como diabos aqueles morcegos estavam lá? Três dos vários pareciam soltar um grito de guerra grunhindo muito e atacar minha mochila enquanto eu tentava não tropeçar nas rachaduras da calçada e ser atropelado por algum carro vindo de uma das três ruas adjacentes.

Por sorte escapei vivo de tal ameaça. Mas ainda passo do outro lado da rua, agora, e sempre procuro por morcegos nos galhos quando posso, e a distância. Grande distância.

E de dia.


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