Arquivo para dezembro \30\UTC 2008

Eu corro

Pessoas me perguntam porque eu corro, e eu vou dizer o porque que eu corro. Não tem motivos especiais, é óbvio a ligação de se fazer depois que tudo for dito. Isso me lembra Forrest Gump, mas só pela parte da corrida.

Acho que eu tenho muito energia pra gastar, deve ser isso. Sabe quando alguma pessoa bem mais velha que você comentou com outra tão igualmente mais velha que criancinhas tem energia em excesso pra gastar, por isso são agitadas e devem praticar esportes e brincar muito no dia, pra eles se cansarem e dormirem em paz para não encherem o saco dos pais? Exatamente isso que eu acho que acontece. Acho, né, porque certeza é difícil. Mas nos dias que eu estou mais disposto, como qualquer ser humano em um dia disposto, tenho mais energia pra gastar. E como não é difícil de acordar num dia disposto, conclue-se.

Tem o fato de fazer as coisas com muito gosto. Fazer coisa com pouco gosto não presta. E fazer coisas pra não prestarem, não faça. Tudo o que eu faço é porque eu gosto, e porque eu quero fazer. Vez e outra aparecem algumas desagradáveis, mas a falta de vontade com a que as faço é notável.

Não consigo acreditar como as pessoas não conseguem ou não sabem ou não querem ou sei lá o que fazer com seu tempo. Tendo horário ou não, é muito primordial saber aproveitar seu tempo. Se eu não corresse, acho que eu iria aproveitar menos de 6 horas do meu dia, sendo que 4 dessas horas seriam reservadas apenas para transporte de ida de de volta para casa, sem contar o que, dependendo do programa do dia, eu ia gastar com o transporte das atividades. Qual o problema de querer passar o maior tempo possível fazendo coisas boas, correndo ou não? Corro mesmo. Pra der tempo de fazer tudo o que eu quero no dia. Também não é nada estressante ficar correndo. Quero relaxar, vou correr.

Passar tempo com as pessoas que eu amo. Eu quero é passar o maior tempo possível ao lado dela(s). Vou correr pra encontrá-la. Chegar cedo, aproveitar o dia, e ficar o máximo que eu posso. Não passar saudade, ir correndo vê-la. Nunca passamos tempo suficiente com as pessoas que amamos, and this, my friends, is a fact. Ou corro pra voltar pra casa e não deixá-los bravos, e pra poder pegar ônibus mais sossegado.

Juro que também não uso isso pra desculpa de fazer exercícios. “É menino, acho que você tá muito fraquinho e sedentário, hein? Fica jogando videogame aí o dia inteiro… Devia fazer uma musculação, ir pra academia.” Não respondo isso com um “Eu já ando quilômetros TODO DIA com uma mochila pesada nas costas”. Eu só falo que eu não quero. E se tem uma coisa que correr é, é o fato de ser relaxante. Até não necessariamente correr, mas andar longas distâncias, ouvindo uma boa música, apreciando uma poluição de São Paulo (eu aprecio, sem ironias). Que mané Parque do Ibirapuera, o que pega é andar da Av. Paulista até a Sé.

What Happened?

Desisto de introduções. Eu estou fazendo um texto aqui que me fez refletir muito, e tudo por causa de uma música. Tem uma banda que eu gosto muito, lançou CD novo há pouco tempo, e muitas pessoas devem conhecer, ou até a maioria que pode ler, ou achar e acabar lendo esse texto aí pelo Google e não conhecer, mas enfim. A banda se chama H2O, e lançou um novo CD recentemente, entitulado “Nothing To Prove”.

Com certeza é uma banda que fala de coisas positivas, pouquíssimas são letras sentimentais, tem muitos temas no meio de todos os CDs. Entre todas as músicas deste álbum, excelentes músicas, sem excessões, uma música em especial me chamou a atenção nesse novo CD, apenas pela sua temática: a última música, chamada “What Heppened?”, questiona o que aconteceu com a cena musical norte-americana nos últimos anos. Claramente não foi só lá que ocorreu essa mudança escrota, e entenda-se um sentido amplo em cena musical. Meu ponto de vista é que eles criticam a cena envolvida com o hardcore e derivados.

O clipe pode ser assistido abaixo. A letra pode ser lida no “read more” do vídeo (ou aqui).

Preste MUITA atenção na fala do ator antes de entrar a música.

É um tema interessante. Eles já são velhos conhecidos da cena hardcore [e eu vou parar de falar “cena”, porque é um termo ridículo pra cacete], então a moral é alta. É de se elogiar uma música desse tipo, e que todos peguem exemplo dela. Da música E do tema. De fato, tudo agora esta muito mais para roupas do que para a música de verdade. Bandas se formando em casa esquina, que não cantam nada, não tem significado nenhum, nem conteúdo, e que acabam sendo alguma coisa. É absurdo como uma merda como… Sei lá… The Red Jumpsuit Apparatus, ou McFly, ou Cine, ou Jonas Brothers pode chegar no nível que chegou. Sem conteúdo, apenas visual, fórmula pronta de sucesso. Esses tipos de banda são as que põem “fashion before passion”, como diz a letra da música.

Uma vez ouvi um depoimento do vocalista de uma banda que eu gosto muito, antes de um show, e com certeza foram uma das coisas mais bonitas que me lembro de ter ouvido, que é exatamente assim: “As coisas que eu escrevo não são negativas em nenhum sentido. […] Quando você escreve, você pega de toda a merda que você já viveu, e você torna tudo isso em uma mensagem positiva. Porque todo mundo passa por merdas. […] Eu não posso mudar o mundo todo de uma vez, mas eu posso, com sorte, mudar as emoções de alguém durante um dia”.

Faltam respostas para os questionamentos dessa música. Cadê a paixão pela música que antes tinham? O que aconteceu com o antigo sonho de formar uma banda PRA TOCAR, SE DIVERTIR PELO GOSTO À MÚSICA? Onde estão os motivos para gritar, as mensagens a serem passadas nas músicas?

Bom que ainda existam bandas que seguem seus PRINCÍPIOS. Ideais. Ainda bem que ainda criam-se bandas com ideais e princípios, com mensagens pra passar e paixão pelo que fazem. Pouco importando se é bom ou ruim o som que fazem, ou se são bonitinhos para agradar certo público, e se importando na mensagem que passam, na idéia que acreditam, e procurando pessoas que têm a mesma ideologia. Esse sim é o importante. Tentar fazer a diferença. E não é só querendo faturar que eles vão fazer isso.

Não vale entrar em nenhum outro tópico. A música fala, com clareza e certeza, tudo.

“How many Ramones are still alive?”

-Feliz Natal


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