Arquivo para abril \17\UTC 2009

Mais do que botõezinhos coloridos

Sempre achei que era muito bom para lembranças fags… Até eu começar a namorar. Sabe? Aquelas coisas de namorado “ideal”, que decora datas de aniversário, dias bonitinhos ao lado da amada, aquela moeda de troco do jantar naquele lugar onde vocês foram na quinta hora do terceiro dia depois de completaram X-tempo de namoro. Foi aí que eu percebi que eu sou bem sequelado pra essas coisas mesmo, mas nenhum exagero. Ainda fico na classificação “bonitinho” de relacionamentos, que, apesar de ser “feio arrumado” [e meio gay], ainda me orgulho. [Ainda sou melhor que você. Ha-ha.] Me deixa em paz.

Mas ainda assim, muitos dias bons não saem da minha memória. Eu não vou falar de um dia que tive com minha amada, vou apenas relembrar o que foi um dia maravilhosamente foda. E que tive a oportunidade, não de repetí-lo, mas de sentir a mesma felicidade novamente. E vou dizer, crianças: é demais. Tipo fora-do-comum de demais.

Ahhh… 2º colegial. Que ano era mesmo? 2006. Estava fazendo no caso, então, 16 anos, naquele grande-potencial-de-ser-bem-simplório 13 de Setembro.[Daí o nome do blog, gênios, pra quem ainda não sabia.] Depois de um tempo, quando você ACHA que tem idade pra ser gentinha grande e “Não: sou grandinho agora, não vou pedir presente pros meus pais de aniversário porque, sei lá… Isso é coisa de criança”, você acaba não pedindo presente pros seus pais. Meu caso foi bem assim. E é assim até hoje, admito. Mas aí você acaba acostumando e vê que eles sabem bem do que o filho gosta, e acabam dando presentes legais anyways.

Naquele ano, me lembro bem… Eu era assim, mas não tinha a supracitada noção de que eles iriam/poderiam acertar no presente. Então, enquanto ia se aproximando a data mais importante do ano e, quem sabe, do século o 16º dia do meu nascimento, eu ia dando umas dicas do que eu mais queria: “Ah, pai, eu sei que é muito caro e tal, mas se você quiser me dar uma serra elétrica, seria legal”, “Então, mãe… Tipo… Se você quiser comprar um prédio pra mim de aniversário eu não reclamaria”. Pelo menos eu teria tirado o peso da minha consciência e tentado, enfim, ter meu primeiro terreno em São Paulo. Poderia ser um grande investidor de terrenos logo com 16 anos, seria fantástico. Pena que elas não investiram nisso. Eu teria tentado.

Só que eu não vou esquecer. Eles sabiam bem o que eu queria. Eu sabia bem o que eu queria, mas também sabia que as chances eram bem divididas 50/50. Mas ninguém sabia do tamanho da importância que aquilo tinha pra mim. Rirão da minha cara, mas tem. As vezes nem eu sei porque que tem tanta importância assim, mas eu sei que tem.

Gosto também quando as pessoas fazem surpresas. Eu realmente me surpreendo com elas, é algo de dar felicidade em quem conseguiu prepará-la para alguém tão pato quanto eu para cair nelas. [Mas esse fato não tira o mérito de ninguém.] É bem fácil me enganar, e em certos momentos eu agradeço por ser meio-zé-roela assim de não ter a sagacidade necessária para um convívio mais interativo com o mundo. Quem liga? Já me acostumei, e to bem feliz assim!

Mas eu venderia um rim pra ter uma, na época. Não os uso mesmo, um rim só daria conta de todo esse corpo sarado e musculoso de… 50kg. Eu arranjaria um emprego só pra ter o dinheiro necessário e comprá-la. E tudo o que bastou pra mim, naquele explendido dia foi acordar de bom humor. “Acordar de bom humor” eu valorizo bastante, não só em mim como nas pessoas também. É legal ver alguém que acordou de bom humor. De alegrar o dia. E aquilo foi o bastante pra eu mesmo ter alegrado meu dia.

Mamãe entra no quarto, como de costume. Com uma delicadeza incomparável ela abre a porta [que não entendo direito, já que ela vai me acordar de qualquer jeito. Mãe é mãe] e me acorda para mais um dia de aula. Final de ano, você já ta de saco cheio, mas me conheço pelo tamanho sacal. Aguento fácil essas coisas. Levanto, tropeço do meu tênis, abro a porta do armário. Da primeira gaveta tiro uma cueca, e me direciono para o banheiro em seguida.

Parece ter sido estratégica-matematicamente calculado meu irmão e minha mãe se escondendo atrás da porta aberta do meu guarda-roupa. No momento que fecho a porta, me aparecem os dois, side-by-side. Um com uma mão em uma extremidade do pacote, a outra com os 10 dedos segurando a outra extremidade. Embrulhado em papel dourado. As medidas daquela caixa já me eram muito familiares. Sorrio, inconformado, e choro. É isso que acontece quando você torna o impossível, realidade para uma pessoa.

Pego o pacote, ainda em prantos, sento na cama e me preparo para desembrulhar. Eu não acreditava que eles iriam realmente comprar aquilo. “Seu irmão também ajudou”. Ahhh, Luquinhas, seu safado. Se estiver lendo isso, eu lembro até da sua cara nesse dia. [Ele estava tão empolgado quanto eu.] Rasgo o papel, as palavras “Playstation 2” e um grande escrito estilisado pulam pra fora, me convidam a abrir a caixa. “Guitar Hero 2“. Uma Gibson SG vermelha, de plástico, e com botõezinhos coloridos! O resto do dia são só detalhes: agradecimentos, um pouco mais de choro, e um dia inteiro tocando uma guitarra que não faz som.

Foi um dia muito bom, e foi um dia verdadeiro que jamais me esquecerei. Família é uma coisa.

Agora, quase 3 anos mais tarde, sentindo falta dos tempos em que podia usar meu PS2 [R.I.P. 2002[?]-2007], eu pude reviver esse dia. A crise de abstinência de Guitar Hero começa a bater, todos os lançamentos passando pelos seus olhos e você ficando pra trás. Dói o coração, gente, sérião. Quando, no final do ano passado, consegui finalmente ter um console em casa novamente, dos novos. Foi uma felicidade. E, agora, novamente, terá a mesma utilidade que um dia seu antecessor teve.

Continua

You Wanted The Best

O dia anterior foi uma segunda feira muito empolgada. Não foi o melhor dia, claro, como qualquer outro, mas foi um dia muito mais empolgado que qualquer um desses outros. Sendo superado apenas pelo seu sucessor, aquela terça-feira que nem eu, nem ela, nem todas as 40.000 pessoas que estavam ao nosso lado durante aquelas 3 horas de show. Mas nenhuma dessas quarenta mil estavam tão felizes quanto ela, durante essas 3 horas de show.

Foi um dia inteiro de pulos, unhadas, mordidas, gritos empolgados, trechos de música… “Aaaaaaai mããããno!” de anciedade. Um dia inteiro com o maior sorriso que o rosto poderia aguentar [e que também foi apenas comparável com o sorriso do dia seguinte].

[Sou bem a favor de que a felicidade não tem preço. Qualquer pessoa consegue fazer qualquer coisa se é isso que ela realmente quer. O clichê até se supera nessa frase. Uma pessoa não sabe o erro que comete em se privar de uma felicidade alcançável. Você pode, mas você não faz. O remorso e arrependimento acompanharão qualquer lembrança que tiver sobre o específico assunto. E fico feliz de poder ter prevenido isso para alguém que é importante. É isso ae. Good job, Vitão!]

E seu sucessor foi muito mais do que o imaginado, eu diria. O começo do dia já foi especial por causa que, naquela específica terça feira, eu não teria então uma das piores aulas da humanidade. Também o grande acontecimento da noite, tornou tudo bem agradável. Foi um dia de silêncio, até. A ansiedade cortava algumas palavras dela. O passeio foi todo meticulosamente calculado para o tempo exato do grande acontecimento.

Passam horas parecendo dias. E em todos os dias dessa terça feira foram feitas ligações para uma atualização ao vivo do que se passava na frente do palco [um obrigado ao correspondente Sérgio, aliás, por isso]. Voltamos para a casa dela, nos aprontamos e saímos em direção ao Anhembi.

Pessoas loucas, vestidas, fantasiadas, pintadas, bêbadas, ansiosas. Até meio perdidas. O metrô cheio, o vai-com-os-outros para chegar no lugar nos ajudou no momento. O Google Maps pulsava na minha cabeça, e eu apenas memorizando por onde tinha voltado para depois checar se o maldito não me enganou [e ele não me enganou mesmo. Danado]. O problema na entrada foi um detalhe do todo [pode acontecer com qualquer um. Aconteceu com vários, aliás, porque estavam juntos, com a gente, ali. Então não se preocupe].

Entramos, encontramos nossos correspondentes. Dr. Sin, até meu ver, nunca cantou PIOR. Mas sem problemas. Vou me ater ao que sei até agora: só gritava “Buceta!” quando me pediam, e isso foi o resumo da banda de abertura. E era patético ver a bateria da abertura, no palco normal, ao lado do palanque de uns 5 metros da bateria principal. Tipo David e Golias, mas Golias teve a esmagadora vitória dessa vez. E ao fim da derrota já anunciada de Davi, subiu-se uma grande cortina com os escritos “KISS” em branco, fundo preto. “AAAAAAAI MÃÃÃÃNO!”.

O resto é história.

Eu nunca, eu disse NUNCA, vou esquecer dela repetindo as seguintes frases, gritando de felicidade, à beira de um ataque. Eu diria que ela estava quase chorando de felicidade, mas só ela pode me confirmar. Mais do que o show, foi a imagem de vê-la gritando o show inteiro que já me fez feliz. Não teve preço.

…”You wanted the best, you got the best! The hottest band in the world… KISS”.

Nota: Isso, claro, foi um texto dedicado à minha querida namorada. Caso queiram outras impressões sobre o show, o antes, durante e depois, deixem-me saber desse interesse nos comentários. Grato. :)


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