Arquivo para julho \20\UTC 2010

Sem título

Era inverno, e eu suponho que era começo de julho naquelas mesas depois da catraca. Era aquela ambiente que por mais que passamos um ano inteiro lá, era desagradável. Temível. Mas fazer o que? É o que nós nos pusemos a passar. Eu, com certeza. Você também, eu sei. Naqueles 4 lugares fixos nas mesas juntas, todos ocupados. Não por pessoas que você tivesse algum carinho, e, por mim, pessoas que criei uma ligação muito forte enquanto durou.

Essa coisa de primeira aula… Estava frio, se faltei na aula, por mais que não a lembre, posso dizer que não era das melhores. Eu resolvi poupar-me, assim como muitas outras vezes que poupei meu tempo com aulas que não preencheriam-me em nada. Afinal: passava a maioria delas pensando em você, antes e depois de nos conhecermos, não importava mais. Você tomou partes do meu subconsciente em progressão geométrica. Nem pra pedir permissão. Nem pra aceitar agora, quando peço expulsão.

Tenha a posse. Por tempos, por direito. Agora não mais. Devolva o que é meu por documento.

Também não era a mais pontual de todas. Quantas vezes não cheguei atrasado propositalmente apenas motivado a te ver sentada no alto daquela escada, nem consigo mais contar. Tomar parte do seu campo de vista era algo que eu fazia questão, e hoje vejo que deu certo. Romanticos não são muito estrategistas.

Nessa desistência de comparecer à primeira aula, eu já a esperava. Sentado nas mesas mais à frente da catraca, para te ver chegar. Jogava Tetris numa tentativa frustrada de passar os minutos mais rápidos. comentava as notícias do jornal com os amigos. Fazia de tudo para que os 50 minutos, padrão das aulas, passassem mais rápido.

Não sei o que tinha na cabeça. Tenho essa memória fotográfica que me inveja. Não decoro nomes. Minha cabeça não aguenta a variadade deles. Mas nas imagens me saio muito bem. Eu estava usando uma bermuda, que era a opção óbvia na minha cabeça, independente da temperatura. Esse Vans que eu poderia costurar na minha pele, já que ele não sai do meu pé. E só um moletom preto. O João, um moletom cinza. A Sandra, uma camisa branca, com um cachecol vinha e outra blusa aberta de lã preta. O João à minha esquerda, Sandra à frente de João. Neles que eu me segurava no nervosismo de te encontrar.

Enquanto o tempo passava, mais a cadeira onde eu sentava não tinha espaço para me aguentar. Eu ia aumentando. Traços da possibilidade de tudo aquilo ter sido em vão passavam pela minha cabeça, mas eu sabia que iria pagar, um momento ou outro.

O sinal tocou, então. Concentrado no Tetris, eu também esperava um pouco após para te esperar. O tempo de você terminar e apagar o seu cigarro, e entrar. Olhava para as catracas te esperando, e olhava para a entrada dos corredores, esperando outras pessoas. Esse imediatismo da vontade de te ver. O que a espectativa aumenta na nossa cabeça.

Quando você apareceu pelos corredores, eu me segurei para não levantar. Aquela imbecilidade de não mostrar uma felicidade exagerada. Nunca deveria ter me apegado a isso.

Você estava vestindo um all-star nada costumeiro, aquele seu azul-marinho. Sua calça preta. Aquelas calças justas que marcam sua silhueta de uma forma que te deixa sexy. Mas sou suspeito a falar: tinha um tesão descomunal por você. Com um casaco 3/4, e um cachecol. Você estava usando uma tiara no dia, também. Deixava seu rosto à mostra claramente. Quando te vi, parecia que você estava brilhando branco de tão linda que estava. E vinha em minha direção. Eu era a pessoa mais feliz. Tenho testemunhas.

Todas as questões que pensei em te fazer sumiram. Porque você tinha chegado mais cedo? Porque entrou na aula? Porque… Tudo sumiu. Nem depois consegui lembrar o que me questionei, mas também nada mais importava. Você estava linda. E não era só linda. Você estava feliz. Você estava feliz, um momento muito raro.

Foi tudo por causa disso.

Por algum lugar isso tem que sair.

Princípios, rotinas ou a falta deles

Seus princípios são formados desde muito novo, quando você é pequeno, a partir de como você é criado, inicialmente. São eles que ditam o que você gosta, o que você lê, escuta, assiste, procura saber. A partir disso você forma suas opiniões, como você lida com a vida, seus problemas, suas manias, seus vícios, exageros. Se você se respeita. Ou se gosta de si.

Logo também começa a surgir a experiência, o aprendizado, o que você aprende com o tempo e coisas que você absorve disso. O ‘se foder’ e conseguir tirar algo de produtivo até do fundo do poço. Até de onde você não tem mais esperanças.

Meus princípios sempre foram muito fortes para mim. Sempre tive dificuldades muito grandes justamente por conta disso, e até há muito pouco tempo tive de revê-los quase que completamente. Justamente por achá-los muito fortes, como traços que com certeza foram influentes diretos em minha formação, vindo de onde vieram e de onde os coletei, sempre me disseram muito claramente pra mudar alguma coisa. O status-quo nem sempre foi um objetivo. A paz de espírito nunca foi uma necessidade.

É aquela coisa de mudar, de não cair no rotineiro. De procurar lutar pelo que você acredita, seus ideais. Tenho certeza que, no total, esse pensamento é apenas um dos que aprendi com meus meios. Da experiência. E tenho a mesmo certeza de que não sou o único (esse sentimento de mudar alguma coisa, em você ou nos outros, é quase mundial).

Mas o que eu realmente quero discutir não é sobre os meus princípios, nem os seus, e muito menos opiniões. O que você acha sobre conformismo and all that crap. Eu sei que eu não gosto, e é por aí que eu paro.

Porque eu não gosto. Acho bom a coisa do anti-conformismo de querer sempre uma coisa melhor das coisas. Porque nada esta 100% bem, então pode-se melhorar. Melhorar apesar de podar-nos sempre que entramos detalhadamente em qualquer assunto, impossível de discordar. Mas por ali seguimos.

Eu não quero ter a rotina. Acordar, trabalhar, voltar pra casa e cair nessa coisa que a vida vai definir. Por mim EU TAMBÉM teria uma vida de músico, fazendo shows a torto e à direita, ganhando ma grana e conhecendo o mundo inteiro com o meu trabalho. Mas né.

Só que isso é exatamente o que as pessoas que não gostam do conformismo reclamam dele: reclamam porque não podem vencê-lo, isso sim.

Porque é por isso que eu quero que você fique, ou por isso que eu te odeio sempre ao pensar que nesse seu plano, seu egoísmo falou mais alto. (Por isso que me incomoda saber que isso aconteceria de qualquer maneira.)

Que nos rebelemos contra o conformismo de maneiras diferentes, então. Tudo bem. Mas o que eu quero é aceitar. E cair na mesma rotina. De vê-la todo dia, de sair nos finais de semana, de termos sempre grandes problemas irremediáveis, e pequenos problemas que sempre tiramos de letra. Fico é puto porque é exatamente isso.

Porque eu revogo MEU direito de escutar o que MEUS princípios dizem, só pra ver você ficar, e você não fica. Principalmente porque já cheguei no ponto que eu vi, presenciei, senti ainda mais que você que estavas arrependida, e que eu queria era correr dali o mais rápido possível, o mais distante que eu chegasse porque eu não podia dizer pra você desistir dos SEUS princípios, e acabei, enfim, te empurrando para o abismo de seguir em frente, para nunca mais te ver em nenhum dos dias da minha rotina.


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