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Sem título

Era inverno, e eu suponho que era começo de julho naquelas mesas depois da catraca. Era aquela ambiente que por mais que passamos um ano inteiro lá, era desagradável. Temível. Mas fazer o que? É o que nós nos pusemos a passar. Eu, com certeza. Você também, eu sei. Naqueles 4 lugares fixos nas mesas juntas, todos ocupados. Não por pessoas que você tivesse algum carinho, e, por mim, pessoas que criei uma ligação muito forte enquanto durou.

Essa coisa de primeira aula… Estava frio, se faltei na aula, por mais que não a lembre, posso dizer que não era das melhores. Eu resolvi poupar-me, assim como muitas outras vezes que poupei meu tempo com aulas que não preencheriam-me em nada. Afinal: passava a maioria delas pensando em você, antes e depois de nos conhecermos, não importava mais. Você tomou partes do meu subconsciente em progressão geométrica. Nem pra pedir permissão. Nem pra aceitar agora, quando peço expulsão.

Tenha a posse. Por tempos, por direito. Agora não mais. Devolva o que é meu por documento.

Também não era a mais pontual de todas. Quantas vezes não cheguei atrasado propositalmente apenas motivado a te ver sentada no alto daquela escada, nem consigo mais contar. Tomar parte do seu campo de vista era algo que eu fazia questão, e hoje vejo que deu certo. Romanticos não são muito estrategistas.

Nessa desistência de comparecer à primeira aula, eu já a esperava. Sentado nas mesas mais à frente da catraca, para te ver chegar. Jogava Tetris numa tentativa frustrada de passar os minutos mais rápidos. comentava as notícias do jornal com os amigos. Fazia de tudo para que os 50 minutos, padrão das aulas, passassem mais rápido.

Não sei o que tinha na cabeça. Tenho essa memória fotográfica que me inveja. Não decoro nomes. Minha cabeça não aguenta a variadade deles. Mas nas imagens me saio muito bem. Eu estava usando uma bermuda, que era a opção óbvia na minha cabeça, independente da temperatura. Esse Vans que eu poderia costurar na minha pele, já que ele não sai do meu pé. E só um moletom preto. O João, um moletom cinza. A Sandra, uma camisa branca, com um cachecol vinha e outra blusa aberta de lã preta. O João à minha esquerda, Sandra à frente de João. Neles que eu me segurava no nervosismo de te encontrar.

Enquanto o tempo passava, mais a cadeira onde eu sentava não tinha espaço para me aguentar. Eu ia aumentando. Traços da possibilidade de tudo aquilo ter sido em vão passavam pela minha cabeça, mas eu sabia que iria pagar, um momento ou outro.

O sinal tocou, então. Concentrado no Tetris, eu também esperava um pouco após para te esperar. O tempo de você terminar e apagar o seu cigarro, e entrar. Olhava para as catracas te esperando, e olhava para a entrada dos corredores, esperando outras pessoas. Esse imediatismo da vontade de te ver. O que a espectativa aumenta na nossa cabeça.

Quando você apareceu pelos corredores, eu me segurei para não levantar. Aquela imbecilidade de não mostrar uma felicidade exagerada. Nunca deveria ter me apegado a isso.

Você estava vestindo um all-star nada costumeiro, aquele seu azul-marinho. Sua calça preta. Aquelas calças justas que marcam sua silhueta de uma forma que te deixa sexy. Mas sou suspeito a falar: tinha um tesão descomunal por você. Com um casaco 3/4, e um cachecol. Você estava usando uma tiara no dia, também. Deixava seu rosto à mostra claramente. Quando te vi, parecia que você estava brilhando branco de tão linda que estava. E vinha em minha direção. Eu era a pessoa mais feliz. Tenho testemunhas.

Todas as questões que pensei em te fazer sumiram. Porque você tinha chegado mais cedo? Porque entrou na aula? Porque… Tudo sumiu. Nem depois consegui lembrar o que me questionei, mas também nada mais importava. Você estava linda. E não era só linda. Você estava feliz. Você estava feliz, um momento muito raro.

Foi tudo por causa disso.

Por algum lugar isso tem que sair.

Princípios, rotinas ou a falta deles

Seus princípios são formados desde muito novo, quando você é pequeno, a partir de como você é criado, inicialmente. São eles que ditam o que você gosta, o que você lê, escuta, assiste, procura saber. A partir disso você forma suas opiniões, como você lida com a vida, seus problemas, suas manias, seus vícios, exageros. Se você se respeita. Ou se gosta de si.

Logo também começa a surgir a experiência, o aprendizado, o que você aprende com o tempo e coisas que você absorve disso. O ‘se foder’ e conseguir tirar algo de produtivo até do fundo do poço. Até de onde você não tem mais esperanças.

Meus princípios sempre foram muito fortes para mim. Sempre tive dificuldades muito grandes justamente por conta disso, e até há muito pouco tempo tive de revê-los quase que completamente. Justamente por achá-los muito fortes, como traços que com certeza foram influentes diretos em minha formação, vindo de onde vieram e de onde os coletei, sempre me disseram muito claramente pra mudar alguma coisa. O status-quo nem sempre foi um objetivo. A paz de espírito nunca foi uma necessidade.

É aquela coisa de mudar, de não cair no rotineiro. De procurar lutar pelo que você acredita, seus ideais. Tenho certeza que, no total, esse pensamento é apenas um dos que aprendi com meus meios. Da experiência. E tenho a mesmo certeza de que não sou o único (esse sentimento de mudar alguma coisa, em você ou nos outros, é quase mundial).

Mas o que eu realmente quero discutir não é sobre os meus princípios, nem os seus, e muito menos opiniões. O que você acha sobre conformismo and all that crap. Eu sei que eu não gosto, e é por aí que eu paro.

Porque eu não gosto. Acho bom a coisa do anti-conformismo de querer sempre uma coisa melhor das coisas. Porque nada esta 100% bem, então pode-se melhorar. Melhorar apesar de podar-nos sempre que entramos detalhadamente em qualquer assunto, impossível de discordar. Mas por ali seguimos.

Eu não quero ter a rotina. Acordar, trabalhar, voltar pra casa e cair nessa coisa que a vida vai definir. Por mim EU TAMBÉM teria uma vida de músico, fazendo shows a torto e à direita, ganhando ma grana e conhecendo o mundo inteiro com o meu trabalho. Mas né.

Só que isso é exatamente o que as pessoas que não gostam do conformismo reclamam dele: reclamam porque não podem vencê-lo, isso sim.

Porque é por isso que eu quero que você fique, ou por isso que eu te odeio sempre ao pensar que nesse seu plano, seu egoísmo falou mais alto. (Por isso que me incomoda saber que isso aconteceria de qualquer maneira.)

Que nos rebelemos contra o conformismo de maneiras diferentes, então. Tudo bem. Mas o que eu quero é aceitar. E cair na mesma rotina. De vê-la todo dia, de sair nos finais de semana, de termos sempre grandes problemas irremediáveis, e pequenos problemas que sempre tiramos de letra. Fico é puto porque é exatamente isso.

Porque eu revogo MEU direito de escutar o que MEUS princípios dizem, só pra ver você ficar, e você não fica. Principalmente porque já cheguei no ponto que eu vi, presenciei, senti ainda mais que você que estavas arrependida, e que eu queria era correr dali o mais rápido possível, o mais distante que eu chegasse porque eu não podia dizer pra você desistir dos SEUS princípios, e acabei, enfim, te empurrando para o abismo de seguir em frente, para nunca mais te ver em nenhum dos dias da minha rotina.

Esse fim de ano

Final do ano passado foi diferente. A usual viagem à praia foi cancelada para depois da passagem do ano, os tios que sempre nos acompanham não estavam lá. Eu estava namorando e ela me acompanhou a maior parte do tempo. Meu irmão não estava lá, e, sinceramente, não faço a menor idéia de onde ele estava. Vi fogos da sacada, não da areia. E a seia também não foi lá essas coisas, já que não me lembro dela.

Esse fim de ano também vai ser diferente. Não passarei por congestionamentos na Paulista com pessoas maravilhadas e seus filhos maravilhados entupindo a rua vendo enfeites de Natal. Não terei liquidações de shoppings antes e depois do natal. Não verei no SPTV os camelôs da 25 de Março correndo, muito menos as pessoas correndo atrás deles querendo comprar aquele presente pro sobrinho com o 13º. Não terá escolha de presente de natal (que já se faz ausente há alguns anos, mas vale para contar), nem troca de presentes de natal, nem árvore enfeitada, nem seia. Nem namorada. Nem irmão. Nem família.

Não terá praia, nem em 2010. Não terá tios e primos. Nem assistir amigo secreto dos outros (não participo. Acho muito arriscado.). Partidas de WE/PES com meu irmão, viradas de dia jogando Guitar Hero e Rock Band nem pensar. Nada de encontro com os amigos após a virada. Sem retrospectiva da Globo, nem da mesa do bar. Sem promoção de DVDs das Lojas Americanas, e sem barganhar aquele CDzinho espero para minha tia que sempre rola um presente por fora. O rei cantando na Globo? Nem por TV a cabo.

Não andarei pelas mesmas ruas. O carro ficará estacionado nos próximos quatro meses. Não verei pessoas conhecidas, e morarei com outras que nunca vi na vida. Não conversarei com ninguém. O “Feliz Ano Novo” será pronunciado em inglês, e ninguém vai estranhar.

Em todos os aspectos, será diferente dos últimos 18 fins-de-anos que tive.

Eu não vou precisar pensar em ninguém. Nem terei ninguém para pensar. Mais.

Vai ser foda. Vai ser feliz.

Tumors

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Primeiro teste. Gosto do efeito escorrido em canetas e tintas, e tentei no meio de uma das aulas. Enxarquei a ponta da Posca preta, mais uns riscos em cima. O desenho em si eu já tinha em mente. E os pingos foram mais ou menos no mesmo estilo. Depois de scanneado, Photoshop para contorno e cores, Illustrator para vetorização

Pequenas coisas assim: desenhos legais, quando consigo fazer exatamente o que estava pensando, me deixam muito, muito bem. Sabem tirar a cabeça fora de qualquer pensamento por algumas horas, só desenhando, focando em uma coisa só? Faz valer a pena. Relaxa. :)

34 dias

Jamais. Não. Não haveria de cruzar minha mente até eu estar preparado, obviamente. 4 meses, 2 meses antes, eu pensava incessantemente: no antes, no durante, no depois. Como será, o que vou fazer, o que estou fazendo… O que estamos… Mas já aprendi que não adianta pensar nessas coisas. Fiz os planos necessários, os excessos descartamos. Não dá pra ficar carregando esse peso: cruzará minha mente quando eu estiver preparado.

Mais cedo ou mais tarde, terei de estar preparado. Data marcada, até.

Agora cruza minha mente, mas na contra-mão. O que antes pensava num futuro, penso no presente, no passado [mais recente]. Penso no pouco tempo aqui, não no muito tempo lá. Como as coisas serão nesse meio tempo, e como tudo será no grande dia.

Me deixo pensar, reduzo-me a 34 dias. 34 dias, e contando. Depois disso, não me pergunte mais: não serei capaz de responder. Ou espere um bom tempo até uma boa resposta.

Calma

Foi estranho de começo. Dias antes não havia reconhecido e agora, a reconhecendo instantaneamente, houve um outro efeito. Carregado também por um outro sentimento. E com muitos outros pensamentos. Um estranho alívio. Ainda assim tão aflitivo. Como se o desconhecido tivesse me selecionado, e apontado, e estariam agora todos assitindo a esse espetáculo. Tão irônico.

Desconcertado.

Andei, ainda sem rumo, procurando ar. Naquele momento, acho que não queria estar era em nenhum lugar. O teto baixo me deixava confuso, as cores escuras tampavam minha visão. Ao sair, tudo pareceu tão claro, grandão. E agora mais uma exigência: sem encheção. Um pedaço da paz: logo encontrei ali atrás.

O que falta nas pessoas é procurar.

Por 10 minutos fui acolhido por uma voz. Acolhido por um anjo e suas asas como alguém que caia ininterruptamente e esparava, a qualquer momento, sua morte, abruptamente. E o anjo, coitado, que havia tanta confiança depositada em suas costas, a ignorou por alguns instantes, e se lançou em uma viagem rústica entre os sentimentos desse que resgatara.

Acolhedor foi apenas uma parte do todo.

Ao deixá-lo no chão, o invadiu sem permissão. Brincou com sensações e decisões, e deixou claro em sua cabeça o caos instaurado. Das sensações  formara-se vazio, das decisões, sereno rio. Pensantes, agora. Considerando isso um grande passo para trás, sem memória.

Como seria se nada tivesse acontecido?

Ao menos houve sua própria sinceridade: ele havia se respeitado. Não sabes a que ponto isto lhe definha ou lhe agrada, mas o respeito, um sentimento tão puro, lhe deu mais estrada. A voz lhe deu mais caminhos. E, finalmente…

…o anjo havia lhe dado asas.

“Você é capaz de decidir seus próprios caminhos, agora. Enfrentar seus próprios sentimentos. Poupar-se de seu próprio sofrimento. Voa. Mostra-me algo. Orgulha-me do seu mais novo talento.”


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